A pressão comercial dos Estados Unidos sobre o Brasil ganhou um novo capítulo. Após anunciar a intenção de aplicar uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras, o governo americano propôs agora uma taxa adicional de 12,5% sobre produtos do país, alegando falhas no combate à entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
A proposta foi divulgada pelo escritório do United States Trade Representative (USTR), órgão responsável pela política comercial dos Estados Unidos.
Segundo o documento, o Brasil está entre 54 economias que, na avaliação americana, não implementaram nem aplicaram de forma eficaz mecanismos para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Caso a proposta avance, os produtos brasileiros poderão enfrentar uma tarifa adicional de 12,5% ao entrarem no mercado norte-americano.
De acordo com o relatório, o governo brasileiro afirma possuir compromissos internacionais relacionados ao combate ao trabalho forçado, mas os Estados Unidos entendem que essas medidas não configuram uma proibição legal efetiva da entrada de mercadorias produzidas nessas condições em outros países.
Brasil integra grupo de países alvo da maior tarifa
Além do Brasil, a lista inclui economias importantes como China, Japão, Reino Unido, Rússia, Argentina, Chile, Índia e Austrália.
O USTR informou que todas as 60 economias investigadas apresentaram algum tipo de deficiência relacionada à proibição ou fiscalização da importação de produtos associados ao trabalho forçado.
Grupo com tarifa reduzida
Outras seis economias receberam tratamento diferenciado e poderão enfrentar uma tarifa adicional menor, de 10%. Nesse grupo estão Canadá, México, Equador, Indonésia, Paquistão e a União Europeia.
Segundo os Estados Unidos, esses países já adotaram medidas iniciais para restringir a entrada de produtos produzidos com trabalho forçado, embora ainda existam falhas na aplicação prática dessas regras.
Governo americano endurece discurso
O embaixador Jamieson Greer afirmou que a falta de ações efetivas por parte dos parceiros comerciais prejudica trabalhadores americanos e cria uma concorrência considerada injusta.
De acordo com ele, os Estados Unidos pretendem aumentar a pressão para que os países adotem mecanismos mais rigorosos de fiscalização e combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de produção.
Consulta pública será realizada
A proposta ainda não entrou em vigor. O USTR abriu uma consulta pública para discutir as medidas sugeridas, com audiências previstas para o dia 7 de julho.
Até lá, governos, empresas e entidades poderão apresentar manifestações sobre os impactos das tarifas propostas e eventuais alternativas para a questão.
Especialistas avaliam que, caso as medidas sejam confirmadas, setores exportadores brasileiros poderão enfrentar novos desafios para manter competitividade no mercado norte-americano, um dos principais destinos das exportações nacionais.
✍️ Da redação do Sorriso News MT
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