O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (23) uma nova condição para a implementação do acordo de cooperação nuclear firmado com a Arábia Saudita. Segundo o republicano, o avanço da parceria dependerá da adesão do governo saudita aos Acordos de Abraão, iniciativa diplomática que busca ampliar a normalização das relações entre países árabes e Israel.
A declaração foi feita um dia após a assinatura oficial do acordo entre o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, e autoridades sauditas. O documento prevê a cooperação para o desenvolvimento de um programa nuclear voltado exclusivamente para fins civis.
Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o acordo será aprovado, mas ressaltou que a continuidade da parceria está “totalmente condicionada” à entrada da Arábia Saudita nos Acordos de Abraão. O presidente também reforçou que não haverá autorização para enriquecimento de material nuclear com finalidade militar.
O que são os Acordos de Abraão?
Criados em 2020, durante o primeiro mandato de Donald Trump, os Acordos de Abraão promoveram a normalização das relações diplomáticas entre Israel e países árabes.
Inicialmente, aderiram ao pacto:
- Israel;
- Emirados Árabes Unidos;
- Bahrein.
Posteriormente, Marrocos e Sudão também passaram a integrar a iniciativa.
O objetivo foi ampliar a cooperação econômica, tecnológica e de segurança entre os países signatários, além de reduzir a influência do Irã na região.
Arábia Saudita segue como principal alvo da diplomacia americana
A Arábia Saudita é considerada a peça mais importante para a expansão dos Acordos de Abraão devido ao seu peso político, econômico e religioso no mundo islâmico.
Entretanto, Riad resiste à normalização das relações com Israel enquanto não houver avanços concretos na criação de um Estado palestino, tema considerado sensível pelo governo saudita e pelo restante do mundo árabe.
Especialistas avaliam que uma eventual adesão exigiria contrapartidas significativas dos Estados Unidos, incluindo garantias de defesa e ampliação da cooperação estratégica.
Entenda o acordo nuclear
O chamado “Acordo 123” prevê uma parceria com duração estimada de 30 anos, permitindo que empresas americanas forneçam tecnologia, equipamentos e assistência técnica para o programa nuclear civil saudita.
Segundo autoridades americanas, antes de qualquer etapa relacionada ao enriquecimento de combustível nuclear, será realizada uma avaliação conjunta para verificar a necessidade técnica e a viabilidade comercial do projeto.
O acordo também impede que a Arábia Saudita desenvolva ou adquira tecnologia própria de enriquecimento de urânio durante os próximos dez anos.
Congresso e Israel acompanham negociações
O entendimento já desperta preocupação entre parlamentares americanos e autoridades israelenses.
Embora Washington afirme que o acordo mantém elevados padrões de segurança e não proliferação nuclear, críticos alertam que qualquer acesso à tecnologia nuclear pode representar riscos futuros caso o cenário geopolítico da região se altere.
Israel, que tradicionalmente se opõe à expansão de programas nucleares no Oriente Médio, acompanha de perto as negociações.
Já o Irã, principal rival regional da Arábia Saudita, continua defendendo seu próprio programa nuclear para fins civis, apesar das sanções e dos recentes confrontos militares envolvendo os Estados Unidos.
Caso o acordo com Washington não avance, analistas apontam que a Arábia Saudita poderá buscar cooperação tecnológica junto à China ou à Rússia, ampliando a disputa por influência no Oriente Médio.
🟦 Sorriso News MT — Sua fonte de notícia, sua conexão com a verdade.
📘 Facebook: @sorrisonewsmt | 📸 Instagram: @sorrisonewsoficial | 💬 WhatsApp: (66) 99934-4590