Uma pesquisa científica oficialmente autorizada pelo governo da Turquia iniciou uma nova etapa de investigação da formação Durupınar, uma estrutura de aproximadamente 157 metros de comprimento e formato semelhante ao de uma embarcação, localizada no distrito de Doğubayazıt, na província de Ağrı.
O local é associado há décadas à possível localização da Arca de Noé, descrita no relato bíblico. No entanto, os pesquisadores ressaltam que os trabalhos atuais ainda não permitem afirmar que a formação seja a embarcação mencionada nas Escrituras.
O projeto de 2026 é dirigido pelo arqueólogo Prof. Dr. Cenker Atila, da Universidade Sivas Cumhuriyet, em parceria com o Noah’s Ark Scans. A pesquisa recebeu autorização oficial do governo turco em junho deste ano.
Formação foi identificada em 1959
A estrutura ganhou atenção em 1959, quando o capitão turco İlhan Durupınar identificou sua forma peculiar em fotografias aéreas.
Desde então, diferentes grupos de pesquisadores realizaram levantamentos na região. O projeto atual reúne técnicas de investigação geofísica para tentar compreender o que existe abaixo da superfície sem recorrer imediatamente a grandes escavações.
Georradar aponta estruturas subterrâneas
Entre as tecnologias utilizadas estão o georradar (GPR), a tomografia de resistividade elétrica (ERT) e o LiDAR, além de análises químicas e coleta de amostras.
Segundo o Noah’s Ark Scans, levantamentos realizados anteriormente identificaram estruturas lineares, ângulos retos e possíveis corredores e compartimentos abaixo da superfície.
Análises de dados de GPR também apontaram padrões geométricos em profundidades próximas de 9 metros.
Os pesquisadores afirmam ainda que amostras de solo coletadas em 2024 apresentaram uma quantidade de matéria orgânica quase três vezes maior no interior da formação em comparação com amostras coletadas na área externa.
Apesar dos resultados, a própria equipe ressalta que os dados são sugestivos, mas não conclusivos, e que ainda são necessárias novas análises geológicas e geofísicas para determinar a origem dessas estruturas.

Pedras perfuradas também são analisadas
A investigação também considera grandes blocos de pedra perfurados encontrados na região do povoado de Arzap.
Pesquisadores ligados ao projeto apontam que essas pedras poderiam ter sido utilizadas como âncoras de arrasto, conhecidas em inglês como drogue stones, e relacionam os objetos à possibilidade de antigas embarcações terem passado pela região.
Essa interpretação, entretanto, também faz parte das hipóteses investigadas e ainda não constitui uma comprovação arqueológica da presença da Arca de Noé.
Escavações só devem ocorrer depois dos levantamentos
A metodologia adotada prevê uma sequência de investigação antes de qualquer intervenção mais invasiva.
Primeiro são realizados o mapeamento topográfico e as análises geofísicas. Depois, estão previstos testes de perfuração e coleta de testemunhos, que poderão ajudar os pesquisadores a compreender a composição e a origem da formação.
De acordo com o projeto, eventuais escavações arqueológicas somente serão consideradas após a conclusão do mapeamento geofísico e das etapas de investigação previstas no plano autorizado.
O próprio Noah’s Ark Scans afirma que o objetivo da pesquisa é produzir documentação científica sobre a formação e que os resultados ainda precisam passar por análise independente.
Assim, a nova investigação pode ajudar a esclarecer a origem da estrutura Durupınar, mas não há, até o momento, confirmação científica de que o local seja a Arca de Noé.
✍️ Da redação do Sorriso News MT
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