As eleições de 2026 produziram uma mudança significativa no cenário político de Mato Grosso. A partir de 2027, dois dos grupos familiares mais tradicionais da política estadual — Riva e Campos — não terão integrantes exercendo mandato eletivo conquistado nas urnas.
O resultado interrompe trajetórias políticas construídas ao longo de décadas e marca uma mudança na composição do poder estadual, especialmente na Assembleia Legislativa e no Senado.
Família Riva perde espaço no Senado e na Assembleia
No caso da família Riva, o resultado encerra uma presença contínua iniciada com José Riva, eleito deputado estadual em 1994.
A deputada estadual Janaina Riva (MDB) deixou a disputa pela reeleição à Assembleia Legislativa para concorrer a uma das duas vagas ao Senado.
Com 100% das urnas apuradas, Janaina terminou em terceiro lugar, com 519.434 votos, equivalentes a 14,53% dos votos válidos. As duas vagas ficaram com Mauro Mendes (União), que recebeu 1.187.352 votos (33,21%), e José Medeiros (PL), com 977.777 votos (27,35%).
Apesar da derrota, a votação mostra que Janaina mantém uma base eleitoral expressiva. Os mais de 519 mil votos, entretanto, não foram suficientes para garantir uma das duas cadeiras em disputa.
Na Assembleia Legislativa, a tentativa de manter o sobrenome Riva por meio da irmã de Janaina, Jéssica Riva (MDB), também não teve sucesso.
Jéssica recebeu 25.979 votos e ficou como suplente, fora das 24 cadeiras destinadas aos deputados estaduais.
Com as duas derrotas, a família Riva ficará, a partir de 2027, sem representante com mandato eletivo em Mato Grosso pela primeira vez desde a eleição de José Riva para a Assembleia, em 1994 — um ciclo de aproximadamente 32 anos.
Campos também ficam sem mandato
Outro sobrenome tradicional atingido pelo resultado das urnas foi Campos.
O senador Jayme Campos (União Brasil) não disputou a eleição de 2026. Seu atual mandato no Senado segue até o início da próxima legislatura, quando deixará o cargo.
Já seu irmão, Júlio Campos (União Brasil), tentou renovar o mandato de deputado estadual, mas não conseguiu ficar entre os eleitos.
Júlio terminou a disputa com 18.517 votos e ficou como primeiro suplente da Federação União Progressista.
Com o fim do mandato de Jayme e a saída de Júlio da Assembleia, a família Campos ficará sem representantes exercendo mandato eletivo em Mato Grosso a partir de 2027.
O ciclo político da família atravessa mais de cinco décadas e tem como um de seus marcos a eleição de Júlio Campos para a Prefeitura de Várzea Grande, em 1972. Ao longo desse período, integrantes do grupo ocuparam cargos como prefeito, deputado estadual, deputado federal, governador e senador.
Mudança não significa desaparecimento político
Apesar do fim da representação institucional por meio de mandatos eletivos, o resultado das urnas não significa necessariamente o desaparecimento político das duas famílias.
No caso de Janaina Riva, por exemplo, a votação obtida na eleição para o Senado demonstra a existência de uma base eleitoral significativa. Jéssica Riva e Júlio Campos também permanecem como suplentes de seus respectivos partidos ou federações.
O que muda a partir de 2027 é a presença direta dos sobrenomes Riva e Campos nos cargos conquistados pelo voto.
A mudança também ocorre em um momento de renovação mais ampla do cenário político mato-grossense, com a chegada de novos nomes à Assembleia Legislativa, à Câmara dos Deputados e ao Senado.
As eleições de 2026, portanto, não apenas definiram os ocupantes dos cargos para os próximos anos, mas também marcaram o encerramento de ciclos históricos de famílias que durante décadas tiveram representantes em diferentes níveis do poder público estadual.
✍️ Da redação do Sorriso News MT
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