O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) investiga um suposto esquema de pagamento mensal de R$ 10 mil a vereadores de Várzea Grande para garantir apoio político ao presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB).
Relatórios elaborados no âmbito da investigação também mencionam relatos sobre a distribuição de cargos comissionados e o possível uso de gravações clandestinas para constranger parlamentares que demonstrassem resistência ao grupo político.
As informações teriam sido reunidas a partir de depoimentos e da análise de materiais obtidos durante a apuração. Uma testemunha, cuja identidade foi preservada, descreveu aos investigadores o suposto funcionamento do esquema, que teria como objetivo manter Wanderley na Presidência do Legislativo e assegurar apoio à composição da Mesa Diretora.
Testemunha relata pagamentos mensais
Segundo o depoimento mencionado nos relatórios, os pagamentos, descritos como um possível “mensalinho”, seriam de aproximadamente R$ 10 mil por vereador integrante do grupo.
A testemunha afirmou que o dinheiro seria entregue na residência da mãe do presidente da Câmara, nas proximidades da UBS Água Limpa, ou por meio do secretário do Legislativo, em um Toyota Corolla preto blindado.
O relato também aponta para uma suposta estrutura de distribuição de cargos vinculados à Mesa Diretora. Cada vereador beneficiado poderia indicar de dois a quatro servidores comissionados, com remuneração de R$ 5 mil e verba indenizatória de R$ 2,5 mil, totalizando R$ 7,5 mil mensais por cargo, conforme a descrição apresentada pela testemunha.
As informações integram o material investigativo e dependem da apuração dos fatos e da confirmação das responsabilidades individuais.
Cartas de renúncia teriam sido usadas como garantia
Outro episódio descrito no relatório envolve uma reunião realizada entre o fim de 2024 e o início de 2025, em uma chácara atribuída ao vereador Dr. Miguel (Cidadania).
De acordo com a testemunha, os participantes teriam discutido apoio à eleição de Wanderley Cerqueira para a Presidência da Câmara e assinado cartas de renúncia aos próprios mandatos. Os documentos, segundo o relato, ficariam sob controle do grupo como uma forma de garantir fidelidade política.
O depoimento também afirma que o mecanismo teria sido retomado durante as articulações para a eleição antecipada da Mesa Diretora, prevista para maio de 2026.
Gravações seriam usadas para pressionar parlamentares
Conforme a testemunha, gravações clandestinas que supostamente mostrariam vereadores recebendo dinheiro poderiam ser utilizadas para constranger ou chantagear parlamentares que ameaçassem retirar o apoio político ao presidente da Câmara.
O material investigado também atribui a Wanderley Cerqueira mudanças no Regimento Interno da Câmara Municipal e na Lei Orgânica de Várzea Grande. Segundo o relato, as alterações teriam criado obstáculos à tramitação de projetos, permitindo, em tese, prolongar discussões e abrir espaço para negociações com o Poder Executivo.
As suspeitas descritas nos relatórios ainda precisam ser analisadas à luz das provas reunidas na investigação. Os relatos de uma testemunha, isoladamente, não constituem comprovação definitiva das acusações.
O caso envolve questões relacionadas à transparência, à integridade da atividade parlamentar e ao funcionamento do Poder Legislativo municipal. Eventuais responsabilidades deverão ser estabelecidas pelas autoridades competentes, com respeito ao contraditório e à ampla defesa.
✍️ Da redação do Sorriso News MT
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