O Partido Democrata deverá controlar a Câmara dos Representantes e o Senado dos Estados Unidos pelos próximos dois anos, após conquistar o número de cadeiras necessário para formar maioria nas duas Casas legislativas. A projeção foi divulgada pela CNN nesta quarta-feira (4), após as eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3).
Para alcançar a maioria, os democratas precisavam ultrapassar 218 cadeiras na Câmara dos Representantes e conquistar pelo menos 51 assentos no Senado. O avanço ocorreu também em estados tradicionalmente republicanos, onde o partido conseguiu vitórias em disputas consideradas historicamente difíceis.
Entre os resultados destacados estão conquistas no Texas, na Carolina do Sul e no Kansas. No Texas, os democratas voltaram a eleger um senador após décadas sem representação do partido no cargo. No Kansas, a vitória também marcou um retorno histórico da legenda ao Senado estadual.
Segundo o levantamento citado pela CNN, foram registradas viradas em disputas tanto para o Senado quanto para a Câmara. A votação também definiu os representantes de 36 governos estaduais, além de outros cargos locais.
Resultado amplia fiscalização sobre o governo Trump
A mudança no controle do Congresso representa um novo cenário político para o presidente Donald Trump, do Partido Republicano. Com maioria nas duas Casas, os democratas terão mais instrumentos para fiscalizar as ações do governo, conduzir investigações parlamentares e exercer influência sobre a tramitação de propostas legislativas.
A eleição foi interpretada por analistas como uma espécie de avaliação do governo Trump na metade do mandato. Entre as principais preocupações dos eleitores estavam a inflação, o custo de vida e os preços dos combustíveis.
A guerra com o Irã, iniciada em fevereiro, também aparece entre os fatores de desgaste político mencionados na cobertura eleitoral.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 26 de outubro apontou que 32% dos americanos avaliavam positivamente o governo Trump.
Trump comenta derrotas e parabeniza democratas
Em entrevista à emissora Fox News, Trump afirmou que não considera o resultado um golpe contra sua presidência. O republicano também elogiou o desempenho dos adversários e reconheceu que o impacto da guerra sobre os preços dos combustíveis pesou entre as preocupações dos eleitores.
“Parabéns aos democratas. Eles fizeram um bom trabalho”, declarou o presidente ao comentar o resultado.
Trump também atribuiu parte das derrotas a candidatos republicanos que receberam seu apoio, afirmando que alguns não conseguiram mobilizar os eleitores de sua base.
Durante a campanha, o presidente havia pedido que os americanos levassem sua gestão em consideração na hora de votar, mesmo sem seu nome aparecer nas cédulas.
Novo cenário político para os próximos dois anos
A conquista das duas Casas do Congresso coloca os democratas em posição de maior influência sobre a agenda política nacional durante a segunda metade do mandato de Trump.
Além da fiscalização do Executivo, o controle do Senado permite ao partido exercer influência sobre a análise e a confirmação de indicações para cargos importantes do governo e do Judiciário.
Apesar da mudança na composição do Congresso, o presidente mantém poderes constitucionais, como o veto presidencial, e a aprovação de projetos continuará dependendo das regras legislativas e das negociações entre os partidos.
Com informações da CNN Brasil.