O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (4) e aprovada por unanimidade pelos integrantes do colegiado.
Com a manutenção, o Banco Central interrompe o ciclo de redução dos juros iniciado em março deste ano. Desde então, foram realizados cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual cada, levando a taxa de 15% para o atual patamar.
No comunicado divulgado após a reunião, o Copom evitou antecipar os próximos passos da política monetária e afirmou que continuará acompanhando a evolução do cenário econômico para manter o nível de restrição necessário ao controle da inflação.
Banco Central aponta cenário desafiador
Ao justificar a decisão, o comitê destacou o aumento das incertezas, as expectativas de inflação mais elevadas e uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica doméstica.
Segundo o comunicado, a combinação desses fatores exige cautela na condução da política monetária. O Copom também ressaltou que a taxa Selic permanece em patamar considerado substancialmente contracionista.
A decisão ocorre em um momento de maior preocupação dos agentes econômicos com as perspectivas fiscais e com os rumos da economia brasileira após o resultado das eleições presidenciais de outubro.
Expectativas de inflação seguem acima da meta
Outro ponto de atenção para o Banco Central é o distanciamento das projeções de inflação em relação à meta central de 3%.
As expectativas apuradas pelo boletim Focus para 2026 e 2027 permanecem acima do objetivo estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional, o que aumenta o desafio para a autoridade monetária.
O Copom também informou que elevou suas estimativas de inflação para o horizonte considerado em suas projeções.
Próximos passos seguem em aberto
Ao manter os juros em 13,75%, o Banco Central sinaliza que pretende avaliar os próximos indicadores antes de definir qualquer mudança na taxa básica.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo BC para controlar a inflação. Quando permanece elevada, tende a encarecer o crédito e desestimular o consumo e os investimentos, contribuindo para reduzir a pressão sobre os preços.
A próxima decisão dependerá da evolução da inflação, das expectativas do mercado e dos demais indicadores econômicos acompanhados pelo comitê.
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