A decisão da Justiça de Mato Grosso que autorizou a saída de Lumar Costa da Silva, de 30 anos, do Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, gerou medo, revolta e sensação de insegurança para os familiares da vítima. Lumar foi responsável por um dos crimes mais brutais registrados no estado: em 2 de julho de 2019, ele matou a própria tia, Maria Zélia da Silva Cosmo, de 55 anos, retirou o coração dela e entregou à prima dentro de um saco plástico.
A filha da vítima, Patrícia Cosmo, declarou em entrevista à rádio Capital FM, nesta segunda-feira (23), que vive novamente o “período mais aterrorizante” de sua vida. “Estou com muito medo, com temor. Na verdade, eu não sei nem o que eu vou fazer para fugir disso. Já não estou conseguindo dormir direito, estou com medo, meus filhos estão com medo. O momento é de terror, uma pressão psicológica de que acabou a nossa paz”, desabafou.
Decisão judicial
A decisão é do juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, da Vara de Execuções Penais de Cuiabá, e autoriza a transferência de Lumar para Campinápolis, no interior de São Paulo, onde passará a viver sob os cuidados do pai. O tratamento psiquiátrico, segundo a decisão, passará a ser feito em regime ambulatorial, ou seja, fora do ambiente hospitalar.
A liberação foi baseada em laudos médicos recentes que apontam “estabilidade clínica” e ausência de sintomas psicóticos no momento. No entanto, o próprio parecer médico alerta que o transtorno de Lumar é crônico e incurável, com risco de recaídas e necessidade de acompanhamento constante.
Crime brutal
Lumar havia se mudado para Sorriso (MT) após um desentendimento com a mãe e foi acolhido pela tia. Pouco depois, foi expulso da casa ao ser flagrado fazendo uso de drogas. No dia do crime, ele matou Maria Zélia a facadas, arrancou o coração da vítima com uma faca e levou o órgão até a casa da filha dela, sua prima, em uma sacola plástica.
Inicialmente, a prima pensou que se tratava de uma brincadeira. Só depois percebeu o horror do que havia acontecido. Em seguida, Lumar roubou o carro da prima, tentou sequestrar a filha dela, de apenas 7 anos, e colidiu o veículo em uma subestação de energia tentando provocar um incêndio.
Desde então, ele estava internado em hospital psiquiátrico por decisão judicial.
“Só Deus para me sustentar”
Abalada, Patrícia afirma que só a fé tem lhe dado forças:
“Só tenho que pedir para Deus e pelas pessoas que tenham compaixão e orem por mim. Só Deus mesmo, porque se estou aqui e dei continuidade na minha vida é por conta dele. Assim como ele me sustentou até agora, ele me dará um direcionamento de como seguir.”