A Polícia Civil de Mato Grosso concluiu, nesta terça-feira (6), a investigação sobre o caso de espancamento ocorrido em uma escola estadual de Alto Araguaia, no qual quatro adolescentes agrediram brutalmente uma colega de 12 anos. O crime ocorreu na segunda-feira (4), dentro do ambiente escolar, e causou forte comoção social após as imagens da agressão se espalharem nas redes sociais.
O delegado responsável pelo caso, Marcos Paulo Batista de Oliveira, apontou que os atos cometidos pelas adolescentes configuram atos infracionais análogos aos crimes de tortura e integração de organização criminosa, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A Justiça acolheu o parecer e determinou a internação de três das quatro adolescentes envolvidas.
“A investigação revelou que o grupo possuía regras e estrutura semelhante a uma organização criminosa, e a vítima foi punida por supostamente descumprir uma dessas normas”, explicou o delegado.
A quarta menor envolvida, com apenas 11 anos de idade na data do fato, não poderá receber medida socioeducativa de internação, devido às limitações legais previstas no ECA.
Durante as diligências, a Polícia Civil ouviu cerca de dez pessoas, incluindo as adolescentes envolvidas, pais, direção da escola e a própria vítima. As agressoras, com idades entre 11 e 14 anos, confessaram o espancamento e relataram que outras quatro alunas já haviam sido agredidas anteriormente pelo mesmo grupo.
Além das agressões físicas, a investigação constatou que, durante o ato de violência, a vítima foi obrigada a não chorar, sob a ameaça de sofrer novas agressões. Segundo os depoimentos, a menina foi atacada sem chance de se defender, e o ato foi premeditado como uma espécie de “castigo” interno.
Os mandados de busca e apreensão para internação das adolescentes foram cumpridos após decisão da 1ª Vara de Alto Araguaia.