No mês de junho, as lavouras de milho ganham um novo significado. Mais do que um período de colheita, a época se transforma em uma celebração do trabalho no campo e da união familiar, marcada por receitas transmitidas de geração em geração. Pamonha, curau, canjica, bolo, pipoca, polenta… o milho assume o papel de verdadeiro protagonista da gastronomia típica brasileira.
De origem indígena caribenha, a palavra “milho” significa “sustento da vida”. Cultivado há cerca de 10 mil anos por civilizações como os maias e os astecas, o grão era considerado sagrado e, ao longo do tempo, espalhou-se pelo mundo. No Brasil, ele encontrou solo fértil e, atualmente, é símbolo de fartura, tradição e identidade cultural.
Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Mato Grosso é o maior produtor de milho do país, responsável por quase um terço da produção nacional. E é justamente durante a colheita que as festas juninas, marcadas pela partilha e pelo sentimento comunitário, ganham vida.
Tradição que atravessa gerações
As festas juninas, embora conhecidas por homenagear santos católicos como São João e Santo Antônio, têm raízes ainda mais antigas, ligadas a celebrações europeias do solstício de verão, relacionadas à colheita e à proteção das plantações. No Brasil, ganharam cores, sabores e sons próprios, e o milho tornou-se parte central dessas comemorações.
Na família do delegado do núcleo Vale do Teles Pires da Aprosoja Mato Grosso, Willian Piloni, a tradição junina é uma herança familiar. “O começo da minha história com o milho foi através da pipoca e do milho cozido nas festas juninas. Eu nasci em Curitiba e faz 23 anos que estou em Mato Grosso. Sempre que podemos, fazemos uma festa junina para comemorar”, conta.
Entre as memórias afetivas, ele destaca o bolo de milho feito pela mãe e os encontros comunitários para a produção da pamonha. “A pamonha reúne todos os amigos e a vizinhança. É um negócio bem comunitário mesmo”, relata.
Um alimento que une e valoriza o campo
Para o vice-presidente Leste da Aprosoja, Lauri Jantsch, o milho representa mais do que produção e rendimento. “O dia que a gente vai fazer a pamonha é dia de festa, de encontro de amigos. O milho agrega à família, à propriedade. Notamos sua importância e o quanto essa cultura vem crescendo”, destaca.
Em Diamantino, o associado Mário Antunes Basílio compartilha uma relação de longa data com o milho. Natural de Santa Catarina, ele vive há 40 anos em Mato Grosso e mantém viva a tradição do milho verde assado, cozido e motivo de reunião familiar. “Na época do milho verde, ninguém reclama. Todo mundo vai na lavoura e sai satisfeito. O milho realmente está na memória dos brasileiros”, frisa.
Seu filho, André Zortéa Antunes, integra a terceira geração da família na agricultura e reforça o valor emocional do grão. “Cada início de safra é uma emoção. A gente vê o milho como uma esperança, um alimento essencial não só para nós, mas também para os animais”, ressalta.
Do campo à mesa: símbolo de cultura e prosperidade
Unindo tradição, sabor e produtividade, o milho reafirma seu papel fundamental na agricultura, na alimentação e na cultura brasileira. Da lavoura à mesa, ele conecta gerações, histórias e saberes. A Aprosoja Mato Grosso reforça seu compromisso com o fortalecimento da cadeia produtiva do milho, promovendo o desenvolvimento sustentável e valorizando as tradições que o tornam essencial.
Em cada espiga, há mais do que grãos: há o esforço de milhares de produtores rurais e o sabor de um Brasil que celebra sua identidade com trabalho, união e fé.