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Sorriso, MT

Ovinos no Brasil registram casos raros de trigêmeos, quadrigêmeos e até quíntuplos

Avanços genéticos e manejo reprodutivo estão por trás do aumento de partos múltiplos nos rebanhos

Foto: Robispierre Giuliani/Divulgação

Casos de trigêmeos, quadrigêmeos e até quíntuplos em ovelhas têm chamado atenção no Brasil nas últimas semanas, evidenciando o impacto da seleção genética e de práticas reprodutivas modernas na produção ovina.

Relatos recentes de partos múltiplos vieram de municípios como São Sepé, Quevedos, Pinheiro Machado, Xangri-lá e Ronda Alta (RS), Castro (PR) e Quixeramobim (CE). Em algumas propriedades, a repercussão foi grande após ovelhas darem à luz quatro e até cinco cordeirinhos de uma só vez.

Segundo o técnico da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Fabricio Willke, a genética é a principal explicação para essa alta prolificidade.

“Existem raças ovinas selecionadas para isso. Algumas possuem genes específicos, como o Booroola, inicialmente identificado na raça Merino e já introduzido em raças como Corriedale e Texel. Outro exemplo é o gene Vacaria, presente na raça Ile de France. Ambos foram cientificamente testados pela Embrapa”, explica.

Além da genética, protocolos hormonais de indução de cio também contribuem para esses resultados. “Animais portadores desses genes, independentemente de clima ou alimentação, têm maior probabilidade de ovulações múltiplas, gerando ninhadas maiores”, reforça Willke.

O especialista destaca que, do ponto de vista produtivo, partos múltiplos podem aumentar a rentabilidade sem elevar o número de matrizes. No entanto, alerta:

“Para que o ganho seja real, o manejo nutricional e sanitário precisa acompanhar essa nova realidade.”

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