Em 2025, ao contrário dos dois anos anteriores, os preços pagos aos produtores de arroz em casca encerraram o mês de maio com uma queda acumulada de 41% nos últimos 12 meses, segundo levantamento do Cepea/USP. Com base nos preços médios do produto posto na indústria do Rio Grande do Sul, incluído frete, os pesquisadores apontam uma reversão na tendência de valorização observada desde 2022.
Entre maio de 2022 e maio de 2023, os preços subiram 15%. No período seguinte, de maio de 2023 a maio de 2024, o avanço foi de 45%, o que animou os produtores e impulsionou o aumento da área plantada. Segundo o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2024/25 conta com 1,7 milhão de hectares cultivados com arroz no país, com expectativa de produtividade 7,4% maior — cerca de 7.070 quilos por hectare — resultando em uma colheita estimada em 12,1 milhões de toneladas, quase 15% superior ao ciclo anterior.
Demanda não acompanhou a oferta
Apesar da alta produção, a demanda — tanto interna quanto externa — não acompanhou o mesmo ritmo de crescimento. “A demanda interna e externa por arroz não cresceu na mesma proporção, resultando em excedente e em recuo nas cotações”, explica o Cepea.
As exportações também decepcionaram. De janeiro a abril deste ano, os embarques cresceram apenas 6,6% em relação ao mesmo período de 2024, quando a oferta interna era menor. Na comparação com 2023, o volume exportado em 2025 caiu 29%, segundo analistas do Itaú BBA.
Outro fator que pressiona o mercado é o aumento da oferta de arroz dos Estados Unidos a partir de agosto, o que reduz a competitividade do produto brasileiro. Além disso, a queda nos preços de exportação dos países do Mercosul — Paraguai, Argentina e Uruguai — reforça o cenário de retração.

Preço abaixo do custo
A queda nos preços desestimulou os negócios no mercado spot. Entre 30 de abril e 30 de maio, a desvalorização do arroz em casca no Rio Grande do Sul foi de 6,92%. Indústrias relatam dificuldade em repassar os preços ao consumidor final, o que reduz a demanda. Por outro lado, produtores resistem à comercialização, afirmando que os valores ofertados não cobrem nem os custos variáveis de produção.
Nos dois primeiros dias de junho, o Indicador Cepea/Senar apontou nova queda de 0,92% no preço médio pago ao produtor gaúcho, com a saca sendo negociada a R$ 70,01. De acordo com o Instituto Riograndense do Arroz (IRGA), o custo variável de produção está próximo de R$ 76,00 por saca. “O cenário acende um alerta para os produtores, que enfrentam margens estreitas ou até negativas, a depender da produtividade”, destaca o relatório do Itaú BBA.
A situação preocupa o setor, que vê o risco de prejuízo aumentar enquanto a pressão externa e interna sobre os preços continua.