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Sorriso, MT

Queimadas causam prejuízos bilionários ao solo e à agricultura em Mato Grosso; prevenção é essencial

Associação de produtores alerta para os danos às lavouras e infraestrutura, e reforça importância do combate ao fogo

Bruno Lopes / Aprosoja MT

O fogo nas áreas rurais de Mato Grosso provoca impactos severos no solo, comprometendo nutrientes essenciais e a microbiota que garantem a fertilidade e produtividade das lavouras de soja, milho e outras culturas. A Associação de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) reforça a importância da prevenção e do trabalho conjunto para proteger as propriedades contra os estragos causados pelas queimadas.

Quando o fogo atinge o solo, elementos vitais como nitrogênio, fósforo, potássio e carbono orgânico são eliminados, além de alterar o pH e a microbiota da terra, comprometendo o crescimento das plantas. A perda da cobertura vegetal deixa o solo exposto à erosão, o que pode reduzir a produtividade entre 15% e 40% já nas primeiras safras após as queimadas, conforme estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Para preservar o solo, os produtores adotam práticas sustentáveis como roçagem mecânica, manejo de resíduos culturais, plantio direto e uso de plantas de cobertura, métodos que também ajudam no controle de pragas e doenças.

Incêndios causam desgaste humano e prejuízos à infraestrutura

A delegada coordenadora do núcleo de Nova Mutum, Daiana Costa Beber, relatou que enfrentou um incêndio iniciado pela rede elétrica de um vizinho, que chegou até uma área de reserva em sua propriedade. O episódio exigiu contratação de brigada profissional e documentação rigorosa para comprovar a origem do fogo, minimizando prejuízos e responsabilidades.

Além dos danos no solo, incêndios também destroem sistemas de irrigação, pivôs centrais, armazéns, cercas e máquinas. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os prejuízos para a agricultura mato-grossense em 2024 ultrapassaram R$ 3,5 bilhões.

Estratégias e desafios no combate ao fogo

O delegado coordenador do núcleo de Paranatinga, Jean Marcel Benetti, destacou que o combate a incêndios em áreas de reserva exige esforços maiores devido ao acesso restrito e à necessidade de métodos manuais ou brigadas especializadas. Máquinas usadas na lavoura não são viáveis nessas regiões, aumentando a complexidade do combate.

Em São José do Rio Claro, o delegado Cleverson Bertamoni relatou que incêndios destruíram até 60% das propriedades rurais na última safra, principalmente áreas de palhada e milho pós-colheita. Para se proteger, os produtores organizam equipes separadas para a colheita e para o combate ao fogo, com tanques e bombas em prontidão.

Aprosoja MT e o compromisso com a prevenção

A Aprosoja MT mantém parcerias estratégicas com o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso e disponibiliza cartilhas educativas para orientar os produtores sobre medidas preventivas e o controle do fogo. A entidade reforça que a prevenção é fundamental para garantir a produtividade agrícola e a rentabilidade econômica das propriedades rurais.

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