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Sorriso, MT

Trump impõe taxa de 50% e paralisa exportações de pescados do Brasil para os EUA

Setor de pesca e aquicultura sofre impacto imediato com suspensão de embarques e risco de demissões; 70% das exportações tinham os EUA como destino

O setor de pesca e aquicultura brasileiro foi o primeiro a sentir os efeitos da nova medida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs uma taxação de 50% sobre os produtos brasileiros exportados para o país. A decisão causou a suspensão imediata das compras de pescados brasileiros por parte de empresários norte-americanos, afetando diretamente os embarques que já estavam nos portos.

A medida entra em vigor no dia 1º de agosto, mas, como o transporte marítimo leva entre 15 e 20 dias, empresários norte-americanos cancelaram os pedidos com receio de que as cargas chegassem após o início da tarifação. Ao todo, 58 contêineres de peixes, camarões e lagostas estão parados nos principais portos do Nordeste — Pecém (CE), Suape (PE) e Salvador (BA).

“É óbvio que o empresário vai interromper a produção, vai fazer demissões e, com o tempo, vai tentar escoar todo o seu estoque para outros mercados, mas isso é um processo moroso”, alertou Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), em entrevista ao G1 Pernambuco.

Segundo Lobo, 70% das exportações brasileiras de pescados têm os Estados Unidos como destino. Ele destacou que essa decisão quebra uma tradição de quase 100 anos de relações comerciais entre os dois países.

“A gente exporta para os Estados Unidos há quase um século. O pescado brasileiro é querido pelo povo americano, faz parte do hábito alimentar. Agora, corremos o risco de perder o mercado mais importante que temos”, completou.

A piscicultura brasileira, especialmente o setor de tilapicultura, também demonstra grande preocupação. De acordo com a Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBR), os EUA foram responsáveis por 89% das exportações de piscicultura em 2024, movimentando US$ 52,2 milhões (cerca de R$ 290 milhões).

Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira (11), a PeixeBR classificou a decisão como uma “medida tresloucada” de Trump e ressaltou que o cenário se agrava com a possibilidade de entrada de pescados do Vietnã no mercado norte-americano, aumentando a concorrência para os produtores brasileiros.

A expectativa agora é de que o governo federal brasileiro reaja diplomaticamente para tentar reverter a medida e proteger um setor que gera milhares de empregos e é considerado estratégico para a economia nacional.

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