O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (3) que as sanções anunciadas pelos Estados Unidos contra dois brasileiros investigados por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) alteraram o planejamento da Operação Exchange e podem ter comprometido parte dos resultados da ação policial.
Segundo Andrei, a investigação já estava em andamento antes da decisão do governo norte-americano e não foi iniciada em razão das sanções. Ele explicou que a representação que fundamentou a operação foi apresentada anteriormente e ressaltou que ações dessa complexidade exigem meses de planejamento.
De acordo com o diretor-geral da PF, a divulgação das sanções levou à antecipação do cumprimento dos mandados judiciais.
“A sanção dos EUA alterou a ação. Antecipou a operação. Sem a sanção, poderíamos ter encontrado o foragido. Isso atrapalhou”, declarou.
Operação mira esquema de lavagem de dinheiro
A Operação Exchange investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e associação criminosa atribuído a investigados apontados pela Polícia Federal como ligados ao PCC.
Na manhã desta sexta-feira, foram cumpridos 11 mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.
Até o momento, sete pessoas foram presas, enquanto um dos principais investigados continua foragido.
Além das prisões, a Justiça autorizou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados, limitado ao montante de aproximadamente R$ 10,4 bilhões.
Críticas à classificação das facções
Durante entrevista, Andrei Rodrigues também criticou a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Segundo ele, a estratégia adotada pelas autoridades brasileiras para enfrentar as facções criminosas é diferente da utilizada pelos norte-americanos.
O diretor da PF classificou a medida como uma decisão equivocada e afirmou que o Brasil já possui mecanismos próprios para investigar e combater organizações criminosas.
Investigados foram alvo de sanções dos EUA
Na última quarta-feira (2), o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra dois brasileiros investigados na Operação Exchange.
Entre eles está o empresário Victor Henrique Shimada, apontado pelas autoridades norte-americanas como um suposto elo entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais.
Segundo o governo dos EUA, Shimada teria participado da lavagem de mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos, utilizando criptomoedas para movimentar valores destinados à organização criminosa no Brasil.
A outra investigada é Stella Stefanie Oliveira, apontada pelas autoridades americanas como responsável por prestar apoio logístico e intermediar movimentações financeiras relacionadas ao suposto esquema.
As investigações da Polícia Federal seguem em andamento para esclarecer a atuação dos investigados e identificar outros possíveis envolvidos.
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