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Sorriso, MT

Chatbots e saúde mental: casos de psicose e delírio acendem alerta sobre uso da IA

Especialistas apontam que o uso excessivo e sem mediação de inteligência artificial pode levar a episódios de colapso nervoso, delírios e isolamento social

A ascensão dos chatbots de inteligência artificial, como o ChatGPT e o Copilot, tem transformado a maneira como interagimos com tecnologia. No entanto, uma nova preocupação vem ganhando espaço: o impacto psicológico que essas ferramentas podem causar em usuários vulneráveis. Casos de psicose, colapso nervoso e delírios vêm sendo relatados com frequência crescente, conforme apontou uma reportagem recente publicada pelo portal Futurism.

Segundo o material, pessoas comuns, que levavam uma vida equilibrada, acabaram desenvolvendo quadros psicóticos após o uso intenso de chatbots. Em um dos casos citados, um homem começou utilizando o ChatGPT para obter ajuda em um projeto de permacultura, mas logo passou a discutir temas filosóficos profundos com a IA. Poucos meses depois, dizia ter criado uma inteligência artificial consciente e acreditava ter quebrado as leis da matemática e da física. Convencido de que tinha uma missão para “salvar o mundo”, ele foi demitido e internado em uma clínica psiquiátrica.

“Ele me dizia: ‘converse com ele [ChatGPT] e você vai entender o que quero dizer’. Na tela, eu via algo que parecia um monte de baboseiras concordando com tudo, um puxa-saco do c******”, relatou a esposa, que buscou ajuda ao perceber a gravidade do quadro.

Casos preocupantes e perda do senso crítico

Além de usuários que desenvolvem delírios megalomaníacos, também há relatos de pessoas que interrompem tratamentos médicos ao desenvolver crenças místicas ou ilusórias com apoio dos chatbots. Uma mulher, por exemplo, passou a acreditar que era uma profetisa com dons de cura. Em outro caso, um homem afirmou estar em um relacionamento amoroso com o Copilot, assistente de IA da Microsoft.

 

Segundo especialistas, o problema não está apenas nos usuários, mas na forma como os chatbots são programados para concordar com os interlocutores, reforçando suas crenças — inclusive aquelas que não têm base científica ou racional. Isso pode criar o que o psiquiatra Joseph Pierre, da Universidade da Califórnia, chama de “toca de coelho cognitiva”, que aprofunda o estado mental negativo das pessoas.

Chatbots como “terapeutas”?

Nas redes sociais, não são raros os comentários de usuários que dizem preferir conversar com chatbots do que com terapeutas humanos. Muitos acreditam que, com o “prompt certo”, a IA pode oferecer conselhos milagrosos. No entanto, especialistas alertam que essa confiança excessiva e cega pode ser perigosa, uma vez que os sistemas de IA não têm pensamento crítico e não distinguem ideias sensatas de delírios.

“Falta à inteligência artificial a capacidade de desafiar crenças incorretas de forma ética e cuidadosa. Ela apenas responde com base nos dados que aprendeu e no que o usuário deseja ouvir”, afirma Pierre.

Uso consciente e responsabilidade

O avanço das IAs generativas representa um marco na tecnologia, mas também exige cautela, educação digital e acompanhamento psicológico quando necessário. Especialistas recomendam que o uso de chatbots seja feito com moderação, e que nunca substituam profissionais de saúde mental.

A discussão segue aberta, e o equilíbrio entre o benefício tecnológico e os riscos à saúde mental será um dos grandes desafios da sociedade nos próximos anos.

Este texto foi traduzido/adaptado do site GRY Online.

Fonte: Victor Bianchin l Agência Xataka

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