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Sorriso, MT

Áudio atribuído a adolescente aponta suposta ordem de facção para matar sargento da Marinha em Cáceres

Adolescente de 16 anos teria relatado que recebeu ameaças e uma “missão” para executar o militar; seis menores foram apreendidos e um jovem de 19 anos foi preso

Um áudio atribuído a um adolescente de 16 anos, apontado pela Polícia Militar como suspeito de matar o primeiro-sargento da Marinha Anderson de Alencar Batista, de 43 anos, apresenta uma versão segundo a qual o homicídio teria sido ordenado por integrantes de uma facção criminosa.

O crime aconteceu na madrugada desta quarta-feira (30), no bairro Jardim Universitário, em Cáceres, a cerca de 225 quilômetros de Cuiabá.

No áudio, cuja autenticidade e circunstâncias ainda deverão ser analisadas durante a investigação, o adolescente afirma que teria sido pressionado a cometer o assassinato por causa de uma dívida relacionada a drogas e que sofreria represálias caso não cumprisse a determinação.

Adolescente afirma ter recebido “missão”

Segundo o relato atribuído ao adolescente, ele estaria sendo pressionado para quitar uma dívida e teria procurado integrantes do grupo em busca de ajuda.

Ainda conforme a gravação, diante da impossibilidade de conseguir o dinheiro, ele teria recebido uma ordem para executar uma pessoa.

“Já tenho uma missão pra sair hoje, se não você vai morrer”, teria dito um dos envolvidos, segundo o adolescente.

Ele também afirma que recebeu instruções por telefone e que uma motocicleta teria sido deixada para que fosse utilizada durante a ação.

Suspeito teria tentado entrar pela cerca elétrica

De acordo com o áudio, o adolescente seguiu sozinho até a residência de Anderson.

Ele relata que tentou acessar o imóvel cortando a fiação da cerca elétrica, mas o sistema de segurança foi acionado.

Após o disparo do alarme, o adolescente afirma que correu para uma área de mata próxima à residência e permaneceu escondido.

Ainda segundo o relato, ele continuou mantendo contato telefônico com uma pessoa que estaria dando as ordens e teria sido pressionado a retornar ao imóvel, mesmo depois de afirmar que não conseguiria realizar o ataque.

Militar teria saído para verificar o alarme

O adolescente afirma que, depois de permanecer escondido, observou a movimentação na residência.

Segundo o relato, os envolvidos não teriam fornecido uma fotografia de Anderson, mas apenas características físicas para que ele identificasse a vítima.

Conforme a versão apresentada no áudio, o militar teria saído da residência para verificar o acionamento do sistema de segurança.

O adolescente então afirma que saiu do esconderijo e surpreendeu Anderson.

“Eu só cheguei, pá, pá, matei ele, aí saí correndo”, declarou no áudio atribuído a ele.

Sargento foi morto no quintal de casa

Anderson foi atingido por disparos dentro do quintal da própria residência.

A Polícia Militar havia sido acionada após moradores relatarem tiros. Quando a equipe chegou, encontrou o militar ferido no imóvel.

O Corpo de Bombeiros também foi chamado, mas constatou que a vítima já estava morta.

Após o crime, conforme o relato atribuído ao adolescente, a motocicleta utilizada na ação foi abandonada e ele recebeu ajuda para deixar a região.

O suspeito seguia em direção a Pontes e Lacerda quando foi localizado e apreendido durante as diligências.

Seis adolescentes são apreendidos

As buscas realizadas após o homicídio resultaram na apreensão de seis adolescentes e na prisão de um jovem de 19 anos.

A Polícia Civil investiga a participação individual de cada um dos envolvidos e trabalha para identificar eventuais mandantes.

A possível participação de integrantes do Comando Vermelho, assim como a versão apresentada pelo adolescente sobre a dívida de drogas, as ameaças e a suposta ordem para matar o militar, ainda será apurada pelas autoridades.

O conteúdo do áudio, por si só, não comprova a existência de mandantes nem a participação da facção no homicídio. Esses elementos dependem da confirmação por meio das demais provas reunidas durante a investigação.

A Polícia Civil deverá analisar o material e cruzar as informações apresentadas no relato com outros elementos obtidos durante as diligências para esclarecer a dinâmica do crime e a eventual participação de cada investigado.

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