O estudante de medicina Eduardo Henrique de Carvalho, de 19 anos, afirmou em depoimento à Polícia Civil que não viu o idoso Valdemar de Souza nem o motociclista antes da colisão que terminou com a morte da vítima, na Avenida Beira Rio, em Cuiabá, na sexta-feira (2). O depoimento foi prestado ao delegado Christian Cabral, da Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito (Deletran), e exibido nesta segunda-feira (5) pelo SBT Comunidade.
Durante o interrogatório, o delegado questionou Eduardo se, antes da colisão, ele havia percebido que o idoso tinha iniciado a travessia da avenida. O estudante respondeu que não.
“Não, não consegui ver”, declarou.
Na sequência, o delegado perguntou se Eduardo também não havia percebido que a motocicleta havia parado à sua frente. Novamente, o estudante afirmou que não conseguiu visualizar a situação. Ele disse ainda que trafegava pela faixa da esquerda no momento do acidente.
As declarações são confrontadas com as imagens de uma câmera de segurança que registraram o atropelamento. No vídeo, Valdemar aparece atravessando a Avenida Beira Rio em direção ao canteiro central, fora da faixa de pedestres. Um motociclista que seguia pela via reduz a velocidade para permitir a passagem do idoso.
Na sequência, o carro conduzido por Eduardo atinge a traseira da motocicleta. Com o impacto, o motociclista é lançado sobre o veículo, enquanto o carro segue em direção ao idoso e o atropela. Valdemar é arremessado e bate a cabeça no meio-fio.
O idoso não resistiu aos ferimentos e morreu. O motociclista também foi atingido e lançado sobre o carro, mas conseguiu se levantar e deixar o local caminhando.
Estudante se recusa a responder pergunta sobre distância
Outro momento que chamou atenção no depoimento ocorreu quando o delegado questionou Eduardo sobre a distância percorrida entre um quebra-mola e o ponto em que ocorreu a colisão.
O delegado perguntou quantos metros o estudante acreditava ter percorrido depois de passar pelo quebra-mola até atingir a motocicleta e, posteriormente, atropelar o idoso. Após pedir que a pergunta fosse repetida, Eduardo decidiu não responder.
“Não quero responder, por favor”, afirmou.
O estudante também declarou que acredita que trafegava a aproximadamente 30 km/h, no máximo, após passar pelo quebra-mola.
Disse que prestou socorro
Durante o depoimento, Eduardo relatou que, logo após a colisão, saiu do veículo e procurou ajudar as vítimas. Segundo ele, a primeira providência foi acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
“A primeira coisa que eu fiz foi ligar para o SAMU”, disse.
Ele afirmou ainda que conversou com o motociclista logo após o acidente e chegou a pedir desculpas. Segundo o estudante, o motociclista estava consciente e conseguia conversar.
Já Valdemar, conforme o relato de Eduardo, estava inconsciente após ser atingido. O estudante afirmou que percebeu movimentos no braço e nos dedos da vítima, mas que ela não respondia aos chamados.
Dois testes apontaram 0,51 mg/L de álcool
Além das circunstâncias do atropelamento, Eduardo também foi submetido a dois testes de alcoolemia, que apontaram resultado de 0,51 mg/L de álcool.
O índice está acima do patamar de 0,34 mg/L, que, considerando a margem de erro e os critérios previstos na legislação de trânsito, pode caracterizar o crime de embriaguez ao volante. A definição da responsabilidade criminal, porém, depende da análise de todos os elementos reunidos durante a investigação.
Após o acidente, Eduardo foi detido e conduzido por policiais. Vídeos feitos por jornalistas que estavam no local mostram o estudante sendo levado até uma viatura da Polícia Militar. Em uma das gravações, ele é questionado sobre a possibilidade de estar embriagado, reage ao jornalista e pede para não ser filmado, cobrindo o rosto com as mãos.
O caso é investigado pela Deletran, que deverá analisar as imagens, os depoimentos, os exames realizados e demais elementos para esclarecer a dinâmica do acidente e eventual responsabilidade do estudante pela morte de Valdemar.