A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (17) a primeira fase da Operação Rábula, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso especializado em aplicar golpes eletrônicos contra idosos. A ação foi coordenada pela Delegacia de Roubos e Furtos de Várzea Grande (Derf-VG) e resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e bloqueio de valores que somam aproximadamente R$ 300 mil, valor que será destinado ao ressarcimento das vítimas.
O principal investigado é um homem de 31 anos que se passava por advogado especialista em direito previdenciário. Segundo a Polícia Civil, ele liderava a quadrilha e usava trajes sociais e linguagem técnica para se passar por profissional da área jurídica, embora não fosse registrado como advogado. Dois comparsas, de 27 e 39 anos, também são alvos da investigação. Um deles está foragido.
Como funcionava o golpe
As investigações começaram em março deste ano e revelaram que o grupo atuava em Cuiabá e Várzea Grande, focando em vítimas idosas, especialmente aquelas prestes a se aposentar ou beneficiárias de programas sociais.
O falso advogado abordava idosos em salões de beleza, igrejas, hospitais e outros locais frequentados por pessoas da terceira idade. Com habilidade na comunicação e aparência formal, ele conquistava a confiança das vítimas, oferecendo serviços jurídicos falsos. Um dos comparsas se passava por motorista particular para reforçar a imagem de profissional bem-sucedido.
Após obter acesso aos dados bancários das vítimas, a quadrilha contratava empréstimos vultosos, entre R$ 18 mil e R$ 24 mil, com parcelas de até 96 vezes. Em muitos casos, as contas dos idosos eram totalmente esvaziadas, e os débitos ultrapassavam os valores obtidos inicialmente, devido aos altos juros.
“Uma das vítimas chegou a pagar R$ 10 mil ao falso advogado e, depois de ter a aposentadoria aprovada, recebeu um carnê de financiamento de uma caminhonete avaliada em R$ 278 mil”, relata a delegada Elaine Fernandes.
Outra vítima teve todas as suas economias subtraídas, desenvolvendo síndrome do pânico e depressão, temendo estar sendo monitorada pelo grupo criminoso.
Histórico dos envolvidos
Os dois comparsas do líder da quadrilha possuem vasto histórico criminal. Um deles já foi condenado por roubo majorado, enquanto o outro tem dez registros criminais, incluindo cinco condenações por roubo e uma por porte ilegal de arma de fogo — todos com sentenças já transitadas em julgado.
A delegada Elaine Fernandes classificou a conduta dos investigados como “extremamente cruel”.
“Eles arrancam dos idosos o pouco que recebem, abalam sua saúde mental e deixam marcas que vão além das perdas financeiras. É indignante que, após uma vida inteira de trabalho, o idoso precise continuar lutando para sustentar a família, enquanto golpistas tiram proveito da sua vulnerabilidade”, declarou.
Origem do nome da operação
O nome da operação, Rábula, faz referência ao principal investigado que se apresentava como advogado, sem possuir registro profissional. O termo é usado para se referir, de forma pejorativa, a pessoas que exercem ilegalmente a advocacia.
As investigações continuam com o objetivo de localizar o terceiro envolvido e identificar outras vítimas que possam ter sofrido golpes semelhantes.