A disputa pelo Governo de Mato Grosso ganhou novos contornos com o avanço da campanha de Otaviano Pivetta (Republicanos) sobre bases políticas que integram ou se aproximam da aliança do senador Wellington Fagundes (PL).
Um dos principais movimentos ocorreu no fim de agosto, quando 133 dos 142 prefeitos de Mato Grosso assinaram uma carta de apoio à candidatura de Pivetta. Entre os apoiadores estão gestores filiados a partidos que, na composição estadual, estão ligados ao projeto de Wellington.
O movimento evidencia uma diferença entre as alianças formalizadas para a eleição estadual e as escolhas políticas feitas por lideranças nos municípios. Posteriormente, prefeitos de PL, MDB, PSB e PRD também tornaram público o apoio ao governador.
Apoio atravessa partidos adversários
A adesão de prefeitos ligados ao campo político de Wellington ganhou força mesmo dentro de siglas que integram sua coligação.
Entre os casos já divulgados estão gestores do PL e do MDB, além de prefeitos de outras legendas que não fazem parte da aliança formal de Pivetta. Em um grupo de 17 prefeitos que declarou apoio ao governador, 11 pertenciam a partidos que estavam fora da aliança governista.
O próprio Wellington Fagundes já afirmou que não pretende exigir fidelidade política dos prefeitos do PL e que cada gestor tem liberdade para escolher o projeto que considera adequado.
Janaina Riva divide palanque com Pivetta
Outro movimento que chama atenção ocorre dentro do MDB, partido que integra a aliança de Wellington.
A deputada estadual e candidata ao Senado Janaina Riva já apareceu publicamente ao lado de Pivetta em eventos políticos. Em uma dessas ocasiões, a parlamentar afirmou que, apesar de estarem em coligações diferentes, os dois poderiam conviver politicamente sem transformar as divergências eleitorais em hostilidade.
A aproximação ganhou ainda mais repercussão porque Wellington Fagundes é sogro de Janaina e disputa diretamente com Pivetta o Governo de Mato Grosso.
A parlamentar também declarou que pretende trabalhar pela eleição de Wellington e do senador Flávio Bolsonaro (PL), mas sua participação em atos da campanha de Fagundes não tem ocorrido com a mesma intensidade de outros integrantes da aliança.
Candidatos ao Senado adotam posições diferentes
Dentro do cenário eleitoral, os candidatos ao Senado que integram os diferentes grupos também vêm adotando comportamentos distintos.
O ex-governador Mauro Mendes (União) e a ex-senadora Margareth Buzetti (PP), integrantes da coligação liderada por Pivetta, estão entre os nomes que participam do projeto de reeleição do governador.
O produtor rural Antônio Galvan (Avante), que não integra formalmente a coligação de Pivetta, também declarou apoio ao governador e participou de atos da campanha.
Já Carlos Fávaro (PSD) e o ex-governador Pedro Taques (PSB) têm aparecido em agendas relacionadas à campanha da candidata ao Governo Natasha Slhessarenko (PSD).
A deputada Janaina Riva e o deputado federal José Medeiros (PL), por outro lado, mantêm posições que não reproduzem integralmente a divisão formal dos palanques estaduais.
Fissuras também aparecem dentro do Novo
As divergências não se limitam aos partidos que compõem diretamente as duas principais alianças.
Dentro do Novo, integrantes da legenda teriam demonstrado insatisfação com questões relacionadas à campanha de Wellington, incluindo atrasos na destinação de recursos e na entrega de materiais gráficos.
Segundo relatos atribuídos a integrantes do partido, a retirada do empresário Marcelo Maluf (Novo) da condição de candidato a vice-governador teria provocado desmobilização de parte da legenda em relação ao projeto de Fagundes.
A escolha do pecuarista Reinaldo Morais, conhecido como Rei do Porco, para a vaga de vice teria contribuído para reduzir parte das divergências.
Disputa municipal ganha peso na eleição
O apoio dos prefeitos se tornou um dos principais elementos da disputa pelo Palácio Paiaguás.
O movimento em torno de Pivetta avançou inclusive sobre municípios administrados por partidos que estão formalmente aliados a Wellington, mostrando que as alianças estaduais não necessariamente se repetem da mesma maneira nos palanques locais.
Ao mesmo tempo, a campanha de Wellington busca preservar sua estrutura partidária e ampliar o apoio entre lideranças municipais.
O cenário ainda pode sofrer novas mudanças durante a campanha, especialmente diante da movimentação de prefeitos, candidatos ao Senado, deputados e lideranças partidárias em diferentes regiões de Mato Grosso.
✍️ Da redação do Sorriso News MT
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