A nova composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) terá pelo menos nove deputados eleitos ou reeleitos que chegam à Casa com diferentes situações envolvendo investigações, operações policiais, ações judiciais ou condenações.
Os casos são juridicamente distintos e não podem ser tratados da mesma forma. Alguns parlamentares são apenas investigados ou foram alvos de operações, enquanto outros respondem a processos judiciais e há também caso de condenação.
Entre os nomes estão Gilberto Cattani (PL), Ulysses Moraes (Podemos), Alessandra Ferreira (Podemos), Faissal Calil (PL), Fabinho Tardin (Podemos), Nininho (Republicanos), Alcino Barcelos (PL), Adelcino Lopo (Podemos) e Chico Guarnieri (PSDB).
Cattani e Ulysses são citados em apurações sobre servidores
Reeleito com 69.672 votos, Gilberto Cattani aparece relacionado a apurações sobre a existência de servidores que teriam sido contratados pela Assembleia Legislativa sem efetivo exercício das funções.
O caso integra investigações relacionadas a possíveis funcionários fantasmas e eventual uso irregular da estrutura da ALMT.
Já Ulysses Moraes, que recebeu 56.208 votos, é alvo de procedimento instaurado pelo Ministério Público de Mato Grosso para apurar se teria exercido efetivamente as funções de um servidor comissionado da Assembleia.
O parlamentar nega a acusação. O procedimento prevê a obtenção de documentos funcionais e informações sobre nomeação, lotação e exoneração.
Alessandra Ferreira é alvo de ação eleitoral
A primeira-dama de Rondonópolis, Alessandra Ferreira (Podemos), eleita com cerca de 50,8 mil votos, responde a uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que questiona suposto abuso de poder político e econômico.
A ação está relacionada à alegação de utilização da estrutura da Prefeitura de Rondonópolis, administrada pelo marido dela, o prefeito Cláudio Ferreira (PL), para beneficiar sua candidatura.
A Justiça Eleitoral já havia determinado que o prefeito e a prefeitura se abstivessem de utilizar bens, serviços, recursos, eventos ou obras municipais para promoção da candidatura.
Na véspera da eleição, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em Rondonópolis dentro de uma investigação sobre possíveis crimes eleitorais. Cerca de R$ 235 mil em dinheiro foram apreendidos nas ações, que tiveram entre os alvos integrantes da administração municipal. As investigações tramitam sob sigilo e a realização das buscas não representa, por si só, condenação ou comprovação de irregularidade.
Faissal é investigado na Operação Gemini
Reeleito com cerca de 41 mil votos, Faissal Calil (PL) foi alvo da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais e lavagem de dinheiro envolvendo integrantes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Entre os alvos da operação está o desembargador afastado Dirceu dos Santos.
Relatórios da investigação apontaram Faissal como pessoa próxima ao magistrado e levantaram suspeitas sobre sua participação em negociações patrimoniais relacionadas ao desembargador.
O deputado nega envolvimento com venda de decisões judiciais e afirmou estar disposto a prestar esclarecimentos.
Fabinho foi condenado por propaganda eleitoral antecipada
Fabinho Tardin (Podemos), reeleito com cerca de 36,1 mil votos, foi condenado pela Justiça Eleitoral ao pagamento de R$ 10 mil por propaganda eleitoral antecipada durante a ExpoVG 2026, em Várzea Grande.
Segundo a decisão, o deputado teria associado sua permanência na Assembleia à realização de novos shows gratuitos no evento de 2027.
A decisão também determinou o encaminhamento dos autos à Procuradoria-Geral de Justiça para análise relacionada à execução de uma emenda parlamentar de R$ 3,5 milhões destinada ao evento.
Tardin contesta a decisão e afirma que não houve pedido de voto ou propaganda antecipada.
Nininho já responde a ação penal no STJ
Entre os casos citados, a situação processual de Ondanir Bortolini, o Nininho (Republicanos), é uma das mais avançadas.
Reeleito com cerca de 33,4 mil votos, o deputado se tornou réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) após a Corte Especial receber parcialmente denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal.
O processo envolve a concessão da rodovia MT-130, em 2011. Segundo o MPF, a denúncia aponta um suposto pagamento de R$ 7 milhões em propina para viabilizar a assinatura do contrato de concessão.
Nininho passou a responder por corrupção ativa, enquanto o ex-governador Silval Barbosa responde por corrupção passiva no mesmo processo.
Alcino Barcelos foi alvo de operação
O novato Alcino Barcelos (PL), eleito com aproximadamente 22,6 mil votos, foi alvo de uma operação do Ministério Público de Mato Grosso em setembro.
A investigação apura suspeitas de fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa relacionadas a contratos da Prefeitura de Pontes e Lacerda, município que ele administrou.
Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, foram identificados contratos entre uma empresa investigada e o município, com valores que chegaram a milhões de reais.
Foram autorizadas medidas como buscas, quebras de sigilo e bloqueio de bens. Barcelos nega irregularidades.
Adelcino Lopo é investigado após denúncia eleitoral
Outro estreante na Assembleia, Adelcino Lopo (Podemos), eleito com aproximadamente 21,1 mil votos, entrou no radar da Justiça Eleitoral durante a campanha.
Uma denúncia apresentada pelo aplicativo Pardal levou ao Ministério Público Eleitoral um caso envolvendo a suposta realização de evento político com distribuição de comida e bebida a eleitores, incluindo churrasco.
O caso foi encaminhado ao MPE para avaliação. Na ocasião, a Justiça Eleitoral não concluiu se as imagens apresentadas comprovavam a distribuição dos alimentos.
Portanto, trata-se de investigação, e não de condenação.
Chico Guarnieri possui condenação por dano ambiental
Reeleito com aproximadamente 18,8 mil votos, Chico Guarnieri (PSDB) chega à nova legislatura com uma condenação na área ambiental.
A Justiça de Mato Grosso manteve a condenação do deputado ao pagamento de R$ 51,4 mil por danos ambientais relacionados ao desmatamento de aproximadamente 7,92 hectares de vegetação nativa em uma propriedade localizada em Barra do Bugres.
Além da indenização, a decisão determinou medidas para recuperação da área e proibiu novas intervenções no local sem autorização.
A defesa apresentou recurso, mas a Justiça manteve a condenação.
Dois candidatos ficaram fora da nova Assembleia
Além dos nove eleitos ou reeleitos citados, dois candidatos que não conquistaram uma cadeira na ALMT também foram alvos de operações durante o ciclo eleitoral.
O deputado Elizeu Nascimento (PL) foi alvo da Operação Emenda Oculta, do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) do Ministério Público de Mato Grosso.
A investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos por meio de entidades do terceiro setor. Segundo o MPMT, Elizeu e o irmão, o vereador Cezinha Nascimento, destinaram mais de R$ 7 milhões em emendas a instituições investigadas.
Elizeu nega irregularidades e afirmou que os valores encontrados em sua residência tinham origem declarada.
Outro candidato, Hugo Garcia (PSDB), foi alvo da Operação Mandato Espúrio, da Polícia Civil.
A investigação apura suspeitas de movimentações financeiras superiores a R$ 1 milhão no Instituto Mato-Grossense de Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigação (Imafir-MT), onde Hugo havia exercido a presidência.
A apuração envolve suspeitas de furto qualificado, estelionato e falsidade ideológica. Hugo nega irregularidades e afirma que os pagamentos realizados durante sua gestão tinham respaldo contratual e autorização da diretoria.
Situações jurídicas são diferentes
A presença desses nomes na nova composição da Assembleia não significa que todos tenham sido condenados ou que as acusações tenham sido comprovadas.
Os casos estão em estágios diferentes: há investigações ainda em andamento, parlamentares que foram alvos de operações, ações eleitorais, processos judiciais e condenações em determinadas áreas.
Caberá às autoridades responsáveis por cada procedimento dar continuidade às apurações e, nos casos que chegaram à Justiça, garantir o andamento dos processos dentro das regras legais.
A nova legislatura da Assembleia Legislativa de Mato Grosso começa em fevereiro de 2027.
✍️ Da redação do Sorriso News MT
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