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Direita amplia força no Congresso, PL conquista 19 cadeiras e terá maior bancada do Senado desde 1988

Resultado do primeiro turno também fortaleceu partidos de direita nos governos estaduais e colocou Flávio Bolsonaro à frente de Lula na disputa presidencial

Reprodução

As eleições de 2026 produziram uma mudança significativa na correlação de forças políticas no Brasil. Além de terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) viu seu partido ampliar de forma expressiva a presença no Senado e conquistar espaço em governos estaduais.

Na disputa presidencial, Flávio recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 53.876.617 votos, ou 45,16%. Os dois candidatos avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Os números foram divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com 99,99% das urnas totalizadas.

Lula tem queda em relação a 2022

O resultado representa uma redução da votação de Lula em relação ao primeiro turno de 2022. Naquela eleição, o petista havia obtido 48,43% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro teve 43,20%.

Em 2006, quando buscava a reeleição, Lula alcançou 48,61%. Já em 2002, ano em que foi eleito presidente pela primeira vez, registrou 46,44%.

A marca de 2026, portanto, é a menor votação proporcional de Lula em um primeiro turno desde 1998, quando obteve 31,71% dos votos válidos e acabou derrotado por Fernando Henrique Cardoso ainda na primeira rodada.

Em números absolutos, Lula também terminou o primeiro turno deste ano com aproximadamente 3,4 milhões de votos a menos do que havia recebido em 2022.

PL terá 28 senadores em 2027

O desempenho presidencial veio acompanhado de uma forte expansão do Partido Liberal no Senado.

O PL elegeu 19 senadores neste domingo (4). Somados aos nove parlamentares que já possuem mandato até 2031, o partido deverá iniciar 2027 com 28 senadores, formando a maior bancada da Casa.

Segundo o Senado Federal, será a maior bancada partidária no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988. O recorde anterior pertencia ao então PMDB, que começou a legislatura de 1999 com 27 senadores.

O PL também conseguiu eleger os dois senadores de cinco estados: Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.

Entre os eleitos estão Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, no Distrito Federal; Carlos Portinho e Carlos Jordy, no Rio de Janeiro; além de Mauro Mendes e José Medeiros, em Mato Grosso.

PT mantém bancada, enquanto PSD perde espaço

O novo desenho do Senado também mostra perdas importantes para partidos do chamado centro.

A projeção do Senado aponta que o PSD, que começou a atual legislatura com 15 senadores e tinha 13 no início de 2026, deverá passar a ter cinco parlamentares em 2027.

O PT deverá manter nove senadores, enquanto o MDB ficará com oito. A federação União Progressista terá 11 representantes. O PSB terá quatro, o Novo três, PSDB e Podemos dois cada, enquanto Rede Sustentabilidade e PDT terão um senador cada.

O resultado mostra uma concentração maior de cadeiras em partidos de direita, embora a composição definitiva ainda possa sofrer alterações até o início da nova legislatura.

54 cadeiras foram renovadas

A eleição deste ano renovou 54 das 81 cadeiras do Senado. Dos 32 senadores que tentaram a reeleição, apenas 14 conseguiram permanecer na Casa.

No total, 40 vagas serão ocupadas por novos titulares a partir de 2027, enquanto 14 serão preenchidas por senadores que conseguiram renovar seus mandatos.

Entre os novos parlamentares estão representantes de diferentes correntes políticas, mostrando que, apesar do avanço do PL, a nova composição continuará sendo formada por diversas bancadas.

Direita também avança nos governos estaduais

A força demonstrada pelo PL não ficou restrita ao Congresso.

No primeiro turno, o partido elegeu cinco governadores: Jorginho Mello, em Santa Catarina; Sergio Moro, no Paraná; Marcos Rogério, em Rondônia; Arthur Henrique, em Roraima; e Luciano Zucco, no Rio Grande do Sul.

Além disso, candidatos do PL disputam o segundo turno em estados como Rio de Janeiro e Amazonas, o que pode ampliar ainda mais a presença da legenda nos governos estaduais.

No Rio de Janeiro, Douglas Ruas terminou o primeiro turno na liderança e enfrentará Eduardo Paes (PSD) no segundo turno.

Segundo turno presidencial concentra disputa nacional

Com a definição de Flávio Bolsonaro e Lula para o segundo turno, a eleição presidencial entra agora em uma nova fase.

A diferença entre os dois candidatos no primeiro turno foi de 2.227.651 votos, equivalente a 1,87 ponto percentual.

Os dois candidatos terão agora que buscar os eleitores que votaram nos demais concorrentes, além daqueles que não escolheram nenhum candidato válido no primeiro turno.

A votação decisiva está marcada para 25 de outubro.

O resultado das urnas no Senado e nos governos estaduais, entretanto, já estabeleceu um novo cenário político para 2027, com o PL como maior bancada da Câmara Alta e forte presença nos governos estaduais.

As eleições ainda terão o segundo turno presidencial e as disputas estaduais pendentes, mas o primeiro turno já produziu uma mudança significativa na composição política do país.

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