O Brasil chegou a setembro de 2026 com 75,05 milhões de consumidores inadimplentes, o equivalente a 44,67% da população adulta. O número representa um crescimento de 2,07% em relação a agosto e reforça as dificuldades enfrentadas pelas famílias para manter as contas em dia.
Os dados são do Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. No recorte regional, o Centro-Oeste apresenta o maior percentual de adultos negativados do país: 48,74%. Na região Sul, que registrou a maior alta anual no número de inadimplentes, a proporção é de 41,01%.
O levantamento também mostra o avanço das dívidas em atraso, que aumentaram 13,62% em relação a setembro de 2025. Na comparação mensal, entre agosto e setembro deste ano, a quantidade de dívidas cresceu 3,07%.
Centro-Oeste tem quase metade dos adultos negativados
Embora o Sul tenha registrado o crescimento anual mais expressivo no número de inadimplentes, com alta de 9,75%, o Centro-Oeste aparece na liderança quando o indicador é analisado proporcionalmente à população adulta.
Na região, 48,74% dos adultos estão incluídos em cadastros de devedores. O percentual supera o índice nacional de 44,67% e evidencia a dimensão do problema no Centro-Oeste.
Na comparação anual, o número de inadimplentes também cresceu nas demais regiões brasileiras: 7,25% no Norte, 5,60% no Sudeste e 4,58% no Nordeste. O Sul liderou a variação, seguido pelo Centro-Oeste, com aumento de 7,74%.
O cenário regional reforça que a inadimplência continua avançando em todo o país, ainda que em ritmos diferentes.
Consumidor deve, em média, R$ 5,2 mil
Em setembro, cada consumidor inadimplente acumulava, em média, R$ 5.240,29 em dívidas. Cada devedor possuía compromissos em atraso com aproximadamente 2,36 empresas credoras, um fator que pode dificultar a reorganização do orçamento.
O levantamento mostra que 28,69% dos consumidores tinham dívidas de até R$ 500. Quando o limite sobe para R$ 1 mil, a proporção chega a 40,75%.
Os dados indicam que uma parcela expressiva dos consumidores enfrenta débitos de menor valor individual, mas que podem comprometer o orçamento quando se acumulam com outras despesas e obrigações financeiras.
A faixa etária de 30 a 39 anos concentra o maior número de inadimplentes: são 18,06 milhões de pessoas, correspondentes a 23,35% do total. Nessa faixa, 53,30% da população está negativada.
A distribuição por gênero é relativamente equilibrada, com as mulheres representando 51,38% dos inadimplentes e os homens, 48,62%.
Dívidas com bancos e serviços de comunicação avançam
O número total de dívidas em atraso aumentou 13,62% em um ano. Entre os setores credores, a maior elevação foi registrada em Comunicação, com crescimento de 17,84%. Na sequência aparecem Bancos, com alta de 12,89%, e Água e Luz, com 12,08%.
O comércio foi o único setor citado no levantamento a apresentar redução, com queda de 1,77% no número de dívidas em atraso.
Apesar do avanço de outros segmentos, os bancos concentram a maior parcela das pendências: 65,95% do total. Serviços de Água e Luz respondem por 10,14%, enquanto Outros setores representam 9,82% e o Comércio, 8,12%.
Na distribuição regional do crescimento do número de dívidas, o Sul também liderou, com alta de 17,19%. Em seguida aparecem Norte (14,99%), Centro-Oeste (14,36%), Sudeste (12,62%) e Nordeste (10,40%).
Renegociação é importante, mas não resolve sozinha
Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o avanço da inadimplência está relacionado, entre outros fatores, aos juros elevados e ao comprometimento da renda familiar com o pagamento de dívidas.
Segundo ele, mesmo quando consegue renegociar um débito, o consumidor continua pressionado pelas despesas cotidianas e por outros compromissos financeiros, o que aumenta o risco de novos atrasos.
O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, também alerta que os programas de renegociação, embora importantes para facilitar o pagamento, não resolvem isoladamente o problema do endividamento.
Na avaliação dele, consumidores com dívidas em diferentes instituições podem continuar enfrentando dificuldades mesmo após regularizar uma das pendências. O acúmulo de contas, os juros e a limitação do orçamento dificultam o cumprimento dos acordos e favorecem a reincidência.
O desafio, portanto, não se limita à retirada do nome dos cadastros de inadimplentes, mas envolve a recuperação da capacidade de pagamento e a manutenção do equilíbrio financeiro ao longo do tempo.