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Sorriso, MT

ENEM : estudar mais pode não significar aprender mais, alerta especialista

Na reta final, excesso de horas de preparação pode afetar memória, concentração e rendimento; equilíbrio entre estudo, sono e lazer é fundamental

Students sitting on the floor with laptops and doing their homework together. Black boy with trendy hairstyle thinking about difficult task, holding pen in hand.

Na tentativa de garantir um bom desempenho no ENEM , muitos estudantes intensificam a rotina de preparação nas semanas que antecedem a prova. Mas aumentar as horas diante dos livros nem sempre significa aprender mais. Quando o excesso de estudos começa a comprometer o sono, a concentração e a memória, a estratégia pode produzir justamente o efeito contrário ao esperado.

Um estudo publicado na revista científica Current Biology ajuda a explicar os efeitos do esforço mental prolongado. Pesquisadores identificaram um aumento na concentração de glutamato, um neurotransmissor, no córtex pré-frontal lateral após períodos de trabalho cognitivo intenso. A região está envolvida no controle de funções cognitivas, e os resultados ajudam a compreender os mecanismos relacionados à fadiga mental após atividades que exigem esforço prolongado.

“Um dos primeiros sinais de que a rotina deixou de ser produtiva é quando o aluno estuda mais, mas aprende menos. Ele relê o mesmo conteúdo várias vezes, esquece o que acabou de estudar, perde a concentração e começa a demonstrar irritação ou desmotivação. Nesse momento, é preciso rever a rotina, e não simplesmente aumentar as horas de estudo”, afirma Rafael Galvão,  Diretor Pedagógico  do Ensino Médio da Rede Alfacem Global Academy. 

Para quem precisa conciliar escola e preparação para o exame, a recomendação é começar pelo planejamento da vida real. Horário das aulas, deslocamento, alimentação, sono, atividades físicas e compromissos familiares devem entrar na conta antes de definir quanto tempo será destinado aos estudos. Metas possíveis, blocos de concentração, pequenas pausas e revisões periódicas tendem a ser mais eficientes do que longas jornadas sem intervalo.

Nesse processo, desenvolver autonomia também pode ajudar o estudante a identificar quais estratégias funcionam melhor para o próprio aprendizado. Na prática, isso significa observar o próprio rendimento, perceber quando a concentração começa a cair e adaptar a rotina, em vez de seguir aumentando o número de horas de estudo. Essa é uma abordagem trabalhada pelo Alfacem Global Academy dentro da competência “Aprender a Aprender”.

“O estudante precisa entender que não existe uma única forma de aprender ou uma quantidade de horas que funcione da mesma maneira para todos. É importante que ele consiga perceber quando está realmente assimilando o conteúdo e quando está apenas cumprindo uma quantidade de horas. Essa percepção ajuda a construir uma rotina mais eficiente e sustentável”, explica Galvão.

Outro ponto que costuma ser negligenciado é o sono. Ao dormir, o cérebro organiza informações e consolida memórias. Por isso, trocar horas de descanso por estudos pode prejudicar justamente habilidades importantes para o Enem, como atenção, raciocínio e capacidade de retenção.

“Dormir não é interromper os estudos; é parte deles. Um cérebro descansado consegue processar melhor as informações e recuperar a capacidade de concentração. O estudante precisa entender que descanso, atividade física e lazer não competem com a preparação: ajudam a sustentá-la”, explica o diretor.

A pressão também pode afetar a relação do estudante com a preparação. Pais e educadores podem contribuir ao acompanhar o processo, valorizar a evolução e ajudar o jovem a construir uma rotina possível de manter, em vez de concentrar a cobrança apenas nos resultados. O excesso de pressão pode alimentar ansiedade, medo de errar e a sensação permanente de que nunca é suficiente.

Alguns hábitos simples também podem aumentar o aproveitamento sem exigir mais horas de preparação, como deixar o celular longe durante os estudos, organizar o material antes de começar, estabelecer uma meta para cada sessão e revisar os conteúdos regularmente.

Na reta final, a preparação para o ENEM não precisa ocupar todo o dia. Mais importante do que estudar até a exaustão é chegar à prova com conhecimento, concentração e energia para colocá-los em prática.

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