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Indústria de Mato Grosso cria 5,6 mil empregos, mas enfrenta desafio que pode travar crescimento

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Indústria de Mato Grosso cria 5,6 mil empregos, mas enfrenta desafio que pode travar crescimento

A indústria de Mato Grosso continua acelerando a geração de empregos, mas os números mais recentes revelam um desafio que pode se tornar decisivo para o crescimento econômico do estado nos próximos anos.

Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), analisados pelo Observatório de Mato Grosso, mostram que o setor industrial alcançou 203,5 mil trabalhadores formais em 2025. O resultado representa a criação de aproximadamente 5,6 mil novos postos de trabalho em relação ao ano anterior, quando o estado contabilizava 197,9 mil empregados na indústria.

Ao mesmo tempo, o número de estabelecimentos industriais também avançou, passando de 16,5 mil para 16,8 mil unidades em funcionamento.

O crescimento confirma a força de um segmento que já responde por 15% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual e concentra cerca de 16% de todos os empregos formais de Mato Grosso.

Mas, por trás dos números positivos, surge uma questão que preocupa especialistas e empresários: haverá profissionais qualificados suficientes para acompanhar a transformação da indústria?

Apenas 1 em cada 11 trabalhadores possui ensino superior
Requisito de formação superior representa 12,3% das vagas analisadas entre julho e agosto de 2026
O avanço da automação, da inteligência artificial e da digitalização industrial está mudando rapidamente o perfil dos profissionais procurados pelas empresas.

Mesmo assim, os indicadores mostram que a presença de trabalhadores com graduação ainda é relativamente baixa no setor.

Em 2025, cerca de 18,7 mil trabalhadores da indústria possuíam ensino superior completo. Isso representa aproximadamente 9% da força de trabalho industrial do estado.

Em outras palavras, apenas um em cada onze profissionais da indústria mato-grossense possui formação universitária concluída.

A maior parte dos trabalhadores tem ensino médio completo, faixa que concentra mais da metade dos empregos industriais.

Embora o cenário não represente um problema imediato, especialistas alertam que a qualificação tende a ganhar importância à medida que os processos produtivos se tornam mais tecnológicos.

Mato Grosso precisará qualificar 210 mil pessoas
O tamanho do desafio aparece de forma ainda mais clara nas projeções para os próximos anos.

Segundo o Mapa do Trabalho Industrial, Mato Grosso precisará qualificar cerca de 210 mil pessoas entre 2026 e 2027.

Desse total:

31 mil serão novos profissionais que ingressarão no mercado;
179 mil correspondem a trabalhadores que já estão empregados, mas precisarão atualizar conhecimentos e desenvolver novas competências.

A diretora regional do Senai Mato Grosso, Fernanda Campos, avalia que a transformação tecnológica está redefinindo o perfil das profissões industriais.

“A indústria vive uma transformação sem precedentes, impulsionada pela inovação, pela digitalização e pelo aumento da complexidade dos processos produtivos. Investir em educação alinhada às necessidades da indústria significa fortalecer a produtividade, acelerar a inovação e preparar Mato Grosso para um novo ciclo de desenvolvimento econômico”, afirma.

Inteligência artificial e automação mudam mercado
Tecnologias que há poucos anos eram restritas a grandes centros industriais já começam a fazer parte da realidade das empresas mato-grossenses.

Áreas como:

Inteligência Artificial;
Automação Industrial;
Segurança Cibernética;
Ciência de Dados;
Engenharia de Software;
Manufatura Avançada;
Análise de Dados;

estão entre as que mais ganham relevância dentro do novo cenário produtivo.

O movimento também aparece nas vagas abertas pelas empresas.

Levantamento do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-MT) identificou que 12,3% das mais de 2,3 mil oportunidades divulgadas recentemente exigiam ou valorizavam formação superior completa ou em andamento.

O percentual supera a participação atual de trabalhadores graduados dentro da indústria, indicando uma tendência crescente de valorização da formação especializada.

Mulheres ainda são minoria no setor
Outro dado que chama atenção é a baixa participação feminina na indústria mato-grossense.

As mulheres ocupam atualmente cerca de 22,3% dos empregos formais do setor.

Dos mais de 203 mil trabalhadores industriais registrados, aproximadamente 46,3 mil são mulheres, enquanto os homens somam mais de 157 mil profissionais.

Especialistas apontam que ampliar a presença feminina em áreas ligadas à tecnologia, engenharia e inovação pode ajudar a suprir parte da demanda crescente por profissionais qualificados.

Crescimento traz oportunidades inéditas
O cenário desenhado pelos indicadores revela um paradoxo interessante.

Ao mesmo tempo em que a indústria mato-grossense registra expansão, cria empregos e fortalece sua participação na economia estadual, aumenta também a necessidade de formação profissional em níveis mais avançados.

A tendência é que as empresas busquem cada vez mais trabalhadores capazes de atuar em ambientes digitais, automatizados e conectados.

Para Mato Grosso, que já é uma potência nacional na produção agropecuária e vem ampliando sua base industrial, a qualificação profissional surge como uma das chaves para sustentar o crescimento econômico dos próximos anos.

Os números mostram que vagas existem. O desafio agora é garantir que a mão de obra acompanhe a velocidade das transformações que já estão acontecendo dentro das fábricas.

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