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Sorriso, MT

IBGE lança novo mapa do relevo brasileiro e identifica Montanhas em 20 estados

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) disponibilizou, nesta quinta-feira (29), a primeira aproximação do Mapa dos Macrocompartimentos de Relevo do Brasil, primeiro resultado cartográfico nacional elaborado a partir das discussões do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo (SBCR). A publicação traz duas mudanças importantes na representação do território brasileiro: a inclusão formal da classe “Montanhas” em um mapa de relevo de escala nacional e a adoção do termo “Superfícies Rebaixadas” em substituição a “Depressões”.

O levantamento divide o território nacional em cinco grandes macrocompartimentos: Montanhas, Planaltos, Superfícies Rebaixadas, Tabuleiros e Planícies. Essas classes representam grandes conjuntos de formas do relevo brasileiro, resultantes da ação de processos geológicos e de fatores externos, como clima, intemperismo e erosão.

O trabalho resulta de uma construção coletiva entre o IBGE, o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a União da Geomorfologia Brasileira (UGB) e pesquisadores de diversas universidades do país, reunindo cerca de 70 especialistas em relevo. A publicação é acompanhada por uma Nota Metodológica que apresenta os conceitos e critérios empregados no mapeamento.

Superfícies Rebaixadas ocupam quase metade do território

As Superfícies Rebaixadas são o macrocompartimento predominante no Brasil e correspondem a 47,9% do território nacional. Em seguida aparecem os Planaltos, com 37,6%, as Planícies, com 8,4%, os Tabuleiros, com 2,3%, e as Montanhas, que ocupam 1,9% do país.

A distribuição dessas formas varia significativamente entre as Grandes Regiões. No Norte e no Nordeste predominam as Superfícies Rebaixadas, presentes em 64,2% e 61,7% de suas áreas, respectivamente. As duas regiões também concentram as maiores extensões de Tabuleiros do país, com destaque para a fachada litorânea nordestina, caracterizada no estudo como “Costa dos Tabuleiros”.

Já o Centro-Oeste é marcado principalmente pelos Planaltos, que correspondem a 63,0% do território regional, e pelas Superfícies Rebaixadas, com 22,5%. A região também apresenta a maior proporção de Planícies entre as cinco regiões brasileiras, com 13,5%, influenciada pela presença da Planície Pantaneira.

No Sul, os Planaltos predominam e abrangem 77,8% da área regional. É a região que apresenta a menor diversidade de classes no primeiro nível taxonômico do SBCR.

 

Planaltos, Município de Mato Rico (PR). Foto: Claudinei Taborda da Silveira, 2024.

Montanhas ganham representação nacional

Uma das principais inovações do novo mapa é o reconhecimento formal das Montanhas. Pela primeira vez, essa classe aparece em um mapa de relevo de escala nacional a partir de critérios morfológicos, de amplitude altimétrica e declividade.

Segundo o levantamento, as Montanhas estão presentes em 20 das 27 Unidades da Federação. Minas Gerais concentra a maior extensão territorial dessa classe, com 37,3% do total mapeado, seguido por Bahia (15,8%), Rio de Janeiro (9,0%) e São Paulo (8,7%). Entre as Grandes Regiões, o Sudeste concentra a maior extensão contínua de Montanhas, que representam 10,7% de seu território.

Outra mudança conceitual está na utilização da denominação “Superfícies Rebaixadas” no lugar de “Depressões” no nível mais abrangente da classificação. A alteração busca reconhecer a posição topográfica relativa dessas áreas e evitar ambiguidades associadas ao termo “depressão”, frequentemente relacionado a cavidades, crateras, afundamentos ou topografia negativa.

Classes do relevo têm distribuição desigual entre os estados

Planaltos, Superfícies Rebaixadas e Planícies ocorrem em todas as Unidades da Federação, embora, na escala adotada pelo mapa, as duas últimas classes não estejam representadas no Distrito Federal. Mato Grosso e Pará apresentam os maiores percentuais de Planaltos, com 15,6% e 14,5%, respectivamente.

As Planícies se destacam no Amazonas (28,3%), Mato Grosso (14,6%), Mato Grosso do Sul (14,3%) e Pará (10,4%). Já as maiores extensões de Superfícies Rebaixadas estão no Amazonas, com 29,5%, e no Pará, com 14,1%.

 

Superfície Rebaixada (Sertaneja), Município de Teixeira (PB). Foto: Rosangela Garrido Machado Botelho, 2024.

 

Os Tabuleiros são a classe presente no menor número de Unidades da Federação, ocorrendo em 14 delas. Não foram registradas ocorrências nas regiões Centro-Oeste e Sul, enquanto todos os estados nordestinos apresentam esse tipo de relevo. O Pará concentra a maior extensão de Tabuleiros, correspondendo a 43,8% do total, seguido pela Bahia, com 13,2%.

Mapa amplia conhecimento sobre o território brasileiro

O novo mapeamento introduz abordagens e critérios conceituais e metodológicos inéditos na história da cartografia temática institucional do IBGE. A publicação é voltada à comunidade científica, profissionais das áreas de planejamento territorial e ambiental, gestores públicos, professores e estudantes e busca ampliar a divulgação e o uso do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo.

Montanhas da Serra do Mar, Município de Petrópolis (RJ). Foto: Rosangela Garrido Machado Botelho, 2022.

 

Além de oferecer uma representação atualizada das principais formas de relevo do território nacional, o produto poderá servir de referência para pesquisas, novos mapeamentos e atividades de ensino. A expectativa apresentada na publicação é que o trabalho também incentive mapeamentos em escalas de maior detalhe e nos demais níveis taxonômicos do SBCR e, futuramente, possa integrar livros didáticos e atlas escolares.

Como o SBCR é um sistema aberto e hierárquico, os pesquisadores envolvidos continuam debatendo a definição dos próximos níveis da classificação junto à comunidade científica e acadêmica. O IBGE também incentiva contribuições sobre esse primeiro resultado, que poderão subsidiar aperfeiçoamentos e futuras pesquisas. O Mapa dos Macrocompartimentos de Relevo do Brasil e sua Nota Metodológica estão disponíveis para download no Portal do IBGE.

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