Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) estão desenvolvendo estudos promissores para o tratamento de doenças neurológicas como Alzheimer e Parkinson utilizando a Drosophila melanogaster, popularmente conhecida como mosca-da-fruta. A pesquisa, iniciada em 2021 pelo professor doutor Anderson de Oliveira Souza, já apresenta resultados que indicam o potencial de compostos naturais, como o pequi roxo, o óleo de peixe e, surpreendentemente, o óleo de milho, para retardar o avanço do Alzheimer.
A equipe, que hoje conta com 14 integrantes entre estudantes de iniciação científica, mestrandos e doutorandos, utiliza as moscas por sua semelhança genética com os humanos e pelo ciclo de vida curto, o que permite testes rápidos e eficazes. “É um animal pequenininho, mas com aplicabilidade científica absurda. O DNA dela é muito semelhante ao nosso, e conseguimos modificar seu genoma com genes humanos”, explicou o professor Anderson.
Frutos do cerrado e esperança no pequi roxo
A mestranda Maria Eduarda Silva Soares, graduada em Química, estuda os efeitos do pequi roxo no sistema nervoso. Em sua primeira fase de testes, observou que a substância retardou o envelhecimento celular, aumentou a longevidade das moscas e melhorou em até 40% a atividade locomotora dos insetos.
Atualmente, sua pesquisa foca em avaliar como os compostos do fruto reagem em moscas geneticamente modificadas para desenvolver Alzheimer. “Queremos propor tratamentos menos agressivos que os medicamentos sintéticos disponíveis hoje, que podem causar efeitos colaterais severos com o uso contínuo”, afirmou Maria Eduarda. O fruto utilizado nos experimentos é enviado por parceiros da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
A surpresa do óleo de milho
Outra linha de pesquisa é conduzida pela doutoranda Jadyellen Rondon, que inicialmente investigava o uso do ômega 3, presente no óleo de peixe, para combater os efeitos do Alzheimer nas moscas. No entanto, um achado inesperado mudou os rumos do estudo: o óleo de milho, usado inicialmente como controle neutro, demonstrou resultados melhores que o ômega 3.
“Era para não causar efeito algum, mas apresentou resultados surpreendentes. Agora, estudo suas propriedades com mais profundidade, até porque ele é produzido aqui em Mato Grosso”, explicou a pesquisadora. Os primeiros resultados sobre o óleo de milho já foram publicados na revista científica MDPI.
Falta de apoio financeiro
Apesar do avanço científico e do potencial para beneficiar tratamentos humanos, os pesquisadores enfrentam dificuldades para dar continuidade aos estudos devido à falta de recursos financeiros. O grupo busca apoio para ampliar os experimentos e validar os resultados em fases mais avançadas da pesquisa.
Além de Alzheimer e Parkinson, os cientistas da UFMT também planejam expandir os testes para o tratamento da epilepsia, utilizando os mesmos métodos genéticos e naturais.