A apetência do brasileiro pelo crédito bancário e comercial continua em trajetória de expansão. A reportagem do CenárioMT apurou os dados divulgados pelo Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito, da Serasa Experian, que aponta um crescimento de 16,5% na procura por crédito no Brasil no acumulado de 12 meses até agosto de 2026.
O levantamento revela avanço em todas as unidades da Federação no período, mas com um destaque absoluto para Mato Grosso, que lidera o ranking nacional com uma impressionante alta de 36,3% na busca por recursos financeiros. Completam o topo da lista o Acre (27,5%) e o Amapá (26,2%).
Outros estados também registraram expansão expressiva, como Rio Grande do Sul (24,8%), Roraima (24,2%) e o vizinho Mato Grosso do Sul (22,9%). No extremo oposto, as menores altas do país foram observadas no Distrito Federal (11,2%), seguido por São Paulo (11,8%) e Rio de Janeiro (11,9%).
Faixas de renda: maior salto entre quem ganha de 1 a 2 salários mínimos
O estudo da Serasa Experian detalha ainda o comportamento da demanda conforme a faixa de rendimento dos consumidores. O maior dinamismo ocorreu entre os cidadãos com menor poder aquisitivo:
De 1 a 2 salários mínimos: alta recorde de 41% no acumulado de 12 meses.
Até 1 salário mínimo: crescimento de 14,1%.
De 5 a 10 salários mínimos: alta de 12%.
Acima de 10 salários mínimos: expansão de 7%.
Apesar do forte acumulado anual, a análise mensal traz um sinal de alerta. Na comparação direta entre agosto de 2026 e o mesmo mês do ano anterior, a alta registrada foi de 5,5%, o que indica um processo gradual de desaceleração na procura por novos empréstimos e financiamentos.
Juros elevados e cautela exigida
Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o comportamento do indicador reflete um cenário que exige prudência por parte das famílias. Fatores como o patamar elevado das taxas de juros, critérios mais restritivos e rigorosos adotados pelos
institutos financeiros na ponta da concessão e o nível de endividamento da renda familiar pesam na decisão do consumidor.
A instituição lembra que o indicador mede o volume de consultas a CPFs em processos de avaliação de crédito — ou seja, o crescimento na procura não traduz, obrigatoriamente, a efetiva liberação ou contratação dos recursos no mercado.