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Sorriso, MT

“Angeliquinha” retorna a Mato Grosso e vai para regime disciplinar diferenciado por decisão judicial

Apontada como uma das lideranças de facção criminosa no norte do estado, Angélica Saraiva de Sá foi recapturada na Bolívia após fugir de penitenciária em Cuiabá, em 2025.

A transferência para Cuiabá marca uma nova etapa da custódia da investigada, que possui condenações superiores a 260 anos de reclusão, segundo a Polícia Civil.

A Polícia Civil de Mato Grosso realizou nesta terça-feira (20 de outubro) o recambiamento de Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, de Mato Grosso do Sul para o sistema penitenciário mato-grossense.

Apontada pelas investigações como uma das lideranças de uma facção criminosa com atuação no extremo norte de Mato Grosso, especialmente em Alta Floresta e região, ela foi transferida para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, onde ficará à disposição da Justiça.

A operação de recambiamento contou com equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), da Gerência Estadual de Polinter e Capturas (Gepol) e com apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).

Antes da transferência, Angeliquinha estava custodiada no Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá (MS). A entrada dela na unidade prisional de Cuiabá foi autorizada pela Secretaria de Estado de Justiça (Sejus).

Capturada na Bolívia após fuga em 2025

Angeliquinha foi localizada e capturada em 22 de setembro de 2026, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, durante uma ação integrada entre a Polícia Civil de Mato Grosso e a Polícia Boliviana.

Ela estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.

Dois dias após a captura, em 24 de setembro, a investigada foi entregue à Polícia Federal brasileira e encaminhada provisoriamente para a unidade prisional feminina de Corumbá, onde permaneceu até o retorno a Mato Grosso.

Segundo a Polícia Civil, Angeliquinha é investigada por envolvimento em atividades relacionadas ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e à coordenação de ações criminosas. A corporação informa ainda que ela possui condenações que ultrapassam 260 anos de reclusão e mandados de prisão expedidos em diferentes ações penais e investigações.

Justiça determina inclusão no Regime Disciplinar Diferenciado

A 5ª Vara Criminal de Sinop determinou a inclusão de Angeliquinha no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), pelo prazo inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação mediante nova decisão judicial fundamentada.

A medida foi determinada no âmbito de uma representação apresentada pela Polícia Civil relacionada às investigações da Operação Showdown.

Conforme a decisão judicial descrita pela corporação, os elementos reunidos apontam suspeitas de que a investigada teria continuado a exercer funções de liderança na organização criminosa mesmo durante o período em que permaneceu foragida no exterior.

O RDD prevê condições especiais de custódia e restrições estabelecidas na legislação, conforme os fundamentos e os requisitos legais aplicáveis ao caso.

Operação Showdown investigou movimentações superiores a R$ 20 milhões

Em março de 2026, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown, voltada à desarticulação de um núcleo familiar apontado como responsável por dar suporte às atividades criminosas relacionadas à investigada e auxiliar na lavagem de dinheiro.

Na ocasião, foram cumpridas 31 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão e de busca e apreensão, sequestros de veículos e imóveis, bloqueios de contas bancárias e suspensões de pessoas jurídicas.

Segundo as investigações, foram identificadas movimentações financeiras superiores a R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses. Os valores foram considerados incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.

A apuração aponta que empresas e outros negócios teriam sido utilizados para dar aparência lícita a recursos provenientes de atividades criminosas.

Custódia em Mato Grosso

Com o retorno ao sistema penitenciário mato-grossense, Angeliquinha foi entregue à administração da unidade prisional em Cuiabá, responsável pela continuidade da custódia.

O recambiamento integra os procedimentos para o cumprimento das determinações judiciais relacionadas ao caso.

✍️ Da redação do Sorriso News MT

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