Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso revelou que comerciantes de Rondonópolis (a 243 km de Cuiabá) foram vítimas de um esquema de extorsão tão violento que alguns chegaram a sofrer infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC), devido à pressão psicológica e física imposta por membros de uma facção criminosa.
O caso foi alvo da Operação Vultus Legis, deflagrada na manhã desta quinta-feira (31), em ação conjunta da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Segundo as investigações, nos últimos meses o grupo aumentou a intensidade das ameaças ao exigir que os pagamentos das extorsões fossem feitos em dinheiro vivo, com o objetivo de dificultar o rastreamento bancário e a atuação das autoridades. A mudança gerou pânico em diversos bairros da cidade, levando inclusive alguns empresários a fecharem seus estabelecimentos.
Apesar de conhecerem os autores das ameaças, muitas vítimas se recusam a colaborar com as investigações, com receio de represálias. A Polícia Civil destaca que esse clima de medo prejudica o avanço dos inquéritos, embora haja mecanismos de proteção aos denunciantes.
Estrutura organizada
De acordo com a Polícia, o grupo atuava com uma hierarquia definida: líderes que estão presos comandavam a operação de dentro das unidades prisionais, enquanto intermediários recebiam os valores — via Pix ou em espécie — e faccionados locais, inclusive menores de idade, eram responsáveis por cobrar e intimidar os comerciantes.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, quebra de sigilo telemático e prisão preventiva de sete envolvidos. Além disso, foram bloqueados R$ 86 mil em contas bancárias ligadas ao grupo criminoso.
A Polícia Civil reforça o pedido para que novas vítimas denunciem o esquema, garantindo que todas as informações serão tratadas com total sigilo e que existem protocolos de segurança para proteger quem decidir colaborar.