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Sorriso, MT

Pastora era chamada de “mãe” por presos e é acusada de intermediar armas para facção em MT

Segundo o Gaeco, Orminda Barcelos mantinha contato com detentos e integrantes soltos de organização criminosa e teria participado da movimentação de dinheiro e armas

A pastora Orminda Carlos de Barcelos Almeida é um dos alvos de uma denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), contra seis pessoas investigadas por suposta ligação com uma organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Segundo a denúncia, Orminda era chamada de “mãe” por presos e teria mantido contato frequente com integrantes da organização criminosa que estavam dentro e fora do sistema prisional.

A acusação foi apresentada à 7ª Vara Criminal de Cuiabá, no dia 11 de setembro. Além de Orminda, também foram denunciados Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, Renildo da Silva Rios, Rhuan Barcelos da Conceição, Anatany Nina de Barcelos Souza Alves e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi.

Cartas de presos

Conforme os documentos citados pelo Gaeco, três cartas enviadas por detentos identificados como Júlio, Júnior e Escobar tratavam Orminda como “mãe”.

Segundo a investigação, os presos faziam pedidos relacionados à guarda de valores e ao transporte de objetos para dentro do sistema prisional.

O Ministério Público afirma que Orminda mantinha contato com integrantes da organização criminosa, tanto presos quanto aqueles que estavam em liberdade ou foragidos.

Conversa sobre arma

Durante as investigações, o Gaeco também encontrou imagens e diálogos envolvendo Orminda e armas de fogo.

Em uma conversa com a filha Rhavenna Barcelos, registrada em novembro de 2024 e citada na denúncia, as duas teriam tratado de uma ida ao sítio da família para buscar uma arma que, segundo a acusação, seria posteriormente comercializada.

O diálogo é apontado pelo Ministério Público como um dos elementos que sustentariam a suspeita de participação de Orminda na intermediação de armas.

Projeto religioso é citado na investigação

A denúncia também menciona a atuação de Orminda e Rhavenna na Equipe de Evangelismo Resgatando Vidas, projeto que realizava visitas a detentos da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.

Segundo o Gaeco, a atividade teria sido utilizada para facilitar o contato entre integrantes da organização criminosa que estavam presos, soltos ou foragidos, além da circulação de mensagens e objetos.

A investigação sustenta que Rhavenna teria desempenhado papel de comunicação entre os envolvidos e também participado da movimentação de valores atribuídos ao grupo criminoso.

Família é investigada por movimentação de dinheiro

Além das suspeitas relacionadas à comunicação com integrantes da organização criminosa, o Gaeco aponta que familiares teriam participado da movimentação e ocultação de valores supostamente provenientes de atividades ilícitas.

Segundo a denúncia, Rhuan Barcelos da Conceição seria responsável por guardar dinheiro em espécie e orientar a distribuição dos valores entre contas.

Anatany Nina de Barcelos Souza Alves, conhecida como “Taninha”, é acusada de realizar depósitos em contas indicadas pelos familiares e controlar limites de movimentação.

Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, chamada de “Lolo”, é acusada de receber e movimentar valores e de ter sido beneficiada por dinheiro e bens supostamente enviados por integrantes da organização criminosa.

Durante as buscas, segundo informações relacionadas à investigação, foram apreendidos R$ 10,9 mil em espécie com Orminda e R$ 1.534 com Rhavenna.

Denúncia

Ao final da investigação, o Ministério Público denunciou Rhavenna, Renildo e Orminda pelos crimes de integração de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Rhuan, Anatany e Lo Rhuama foram denunciados por lavagem de dinheiro.

De acordo com o Gaeco, Rhavenna, Renildo e Orminda teriam integrado um dos núcleos da organização criminosa entre janeiro de 2024 e julho de 2026.

O pastor Nivaldo de Almeida, marido de Orminda e pai de Rhavenna, também era citado nas investigações. No entanto, não foi denunciado em razão de sua morte, ocorrida em 5 de setembro de 2026.

As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os denunciados terão direito à defesa e ao contraditório no decorrer do processo.

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