O episódio ocorreu horas após a deflagração da Operação Cathedra Venalis, que investiga suspeitas de corrupção e irregularidades relacionadas à disputa pela Mesa Diretora do Legislativo municipal.
A abertura da sessão da Câmara Municipal de Várzea Grande, nesta terça-feira (20 de outubro), foi marcada por um confronto verbal entre o presidente da Casa, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), e o vereador Bruno Rios (PL). A conversa, captada pelos microfones da transmissão oficial, ganhou repercussão após Cerqueira afirmar ao colega: “Você vai pagar, meu filho”.
O episódio ocorreu em meio à crise política envolvendo a disputa pelo comando da Mesa Diretora e poucas horas depois de o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso, deflagrar a Operação Cathedra Venalis. <Cite refs={[“turn419069news6″,”turn419069news18”]}/>
Conversa foi captada durante a abertura da sessão
Conforme as imagens e o áudio divulgados, o desentendimento começou após Wanderley Cerqueira convidar o vereador Sardinha (MDB) para fazer a leitura de um trecho bíblico.
Na sequência, o presidente se aproximou de Bruno Rios, tocou em seu ombro e disse: “Você vai pagar, meu filho”.
Embora o microfone principal estivesse desligado naquele momento, parte da conversa acabou sendo captada pelo sistema de áudio da Câmara. Enquanto Cerqueira tomava café, Bruno rebateu as cobranças. Em outro trecho, ouviu-se o presidente afirmar: “Você vai saber na hora certa”.
Bruno respondeu que não tinha responsabilidade pelas ações de outros parlamentares e contestou o que interpretou como intimidação.
“Não vem me ameaçar aqui não. Faz o que você quiser, Wanderley, faz o que você quiser. Não tenho nada a ver com isso, não, as ações de vocês. Eu respondo pelos meus atos e pelos de vocês”, declarou.
Diante do clima de tensão, a vereadora Rosy Prado (União Brasil), integrante da Mesa Diretora, pediu calma aos colegas.
Operação investiga suspeitas envolvendo a Mesa Diretora
O confronto ocorreu no mesmo dia em que o Gaeco deflagrou a Operação Cathedra Venalis, que apura suspeitas de corrupção, obtenção de vantagens indevidas e cooptação de agentes públicos relacionadas à disputa pela Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
Wanderley Cerqueira está entre os alvos das medidas investigativas. A operação também alcançou outros agentes públicos e vereadores, no âmbito de uma apuração que envolve possíveis irregularidades na eleição interna do Legislativo. <Cite refs={[“turn419069news11″,”turn419069news15”]}/>
A investigação ocorre em meio a uma disputa política pelo comando da Casa. Cerqueira integra um dos grupos envolvidos na articulação pela presidência, enquanto Bruno Rios é apontado como adversário político na disputa.
Até o momento, o conteúdo das falas captadas durante a sessão não permite afirmar, por si só, qual foi a motivação exata da cobrança feita por Cerqueira ou estabelecer uma relação direta entre o confronto verbal e as medidas adotadas pelo Gaeco.
Presidente questionou operação
Após a deflagração da operação, Wanderley Cerqueira questionou publicamente a atuação do Gaeco e afirmou considerar a investigação estranha. O parlamentar declarou que ainda não conhecia todos os detalhes da apuração e sustentou que eventuais irregularidades devem ser demonstradas pelas autoridades competentes. <Cite refs={[“turn419069news18”]}/>
A investigação segue sob responsabilidade dos órgãos competentes. As suspeitas apuradas não equivalem a uma condenação, e a responsabilização de qualquer investigado depende do devido processo legal.
O episódio ocorrido durante a sessão acrescenta um novo capítulo à crise política em Várzea Grande, em um momento de disputa interna pelo comando do Legislativo e de investigação sobre possíveis irregularidades na escolha da Mesa Diretora.
✍️ Da redação do Sorriso News MT
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