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Sorriso, MT

28 entidades assinam carta contra eleição de Flávio Bolsonaro e alertam para riscos aos direitos indígenas

Documento divulgado nesta terça-feira (20) critica políticas ambientais e indigenistas do governo Jair Bolsonaro e questiona propostas atribuídas ao candidato do PL.

MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

Signatárias defendem que os eleitores considerem o histórico dos candidatos e os possíveis impactos das propostas sobre os povos indígenas, os direitos humanos e a proteção ambiental.

Vinte e oito entidades que representam povos indígenas ou atuam na defesa de seus direitos e de pautas socioambientais divulgaram, nesta terça-feira (20 de outubro), uma carta contrária à eleição de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República.

O documento foi divulgado a cinco dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), quando Flávio Bolsonaro disputa a Presidência com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conforme o calendário eleitoral. <Cite refs={[“turn983244search0″,”turn983244search5”]}/>

Na manifestação, as organizações afirmam que uma eventual vitória de Flávio representaria o retorno de políticas semelhantes às adotadas durante o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo os signatários, essas políticas teriam enfraquecido a estrutura de proteção aos povos indígenas, reduzido a capacidade de atuação de órgãos ambientais e limitado a participação social em decisões públicas.

As entidades também apontam diferenças entre os projetos políticos em disputa, especialmente nas áreas de democracia, soberania, direitos humanos e proteção socioambiental.

Carta critica propostas ambientais e indigenistas

No documento, as organizações afirmam que a disputa eleitoral envolve visões distintas sobre o papel do Estado e a proteção de grupos socialmente vulneráveis.

A carta menciona preocupações com o que classifica como incentivo à violência política, autoritarismo, intolerância à diversidade e exploração predatória dos recursos naturais.

Entre os pontos apresentados, os signatários criticam mudanças administrativas realizadas durante o governo Jair Bolsonaro, incluindo a extinção, incorporação e reorganização de ministérios, que, segundo a avaliação das entidades, prejudicaram o planejamento e a execução de políticas públicas.

O texto também recorda a tentativa de transferir a competência sobre demarcação de terras indígenas da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Outro ponto levantado é a paralisação ou o enfraquecimento de espaços de participação social, como conselhos ligados ao meio ambiente, aos direitos das pessoas com deficiência e à segurança alimentar.

Organizações questionam propostas atribuídas a Flávio Bolsonaro

A carta afirma que Flávio Bolsonaro já teria manifestado intenção de rever o papel do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de criar uma nova política ambiental.

As entidades também atribuem ao candidato a intenção de não realizar novas demarcações de territórios indígenas.

Para os signatários, essas posições levantam preocupações sobre a continuidade de políticas de proteção territorial e ambiental. As afirmações sobre as propostas do candidato são apresentadas no documento das organizações e devem ser consideradas nesse contexto.

A manifestação ainda critica escolhas feitas durante o governo anterior para cargos relacionados à política indigenista e ambiental, além de apontar redução de servidores e recursos destinados aos órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental.

Segundo a carta, o enfraquecimento dessas estruturas teria contribuído para o avanço do desmatamento no período.

Saúde, educação e segurança também são citadas

Além das questões indígenas e ambientais, as entidades apresentam críticas à condução de políticas de saúde, educação e proteção às mulheres durante o governo Jair Bolsonaro.

Na área da educação, o documento menciona mudanças frequentes no comando do Ministério da Educação, redução de orçamento e dificuldades enfrentadas pelas universidades federais.

Sobre a pandemia de Covid-19, os signatários criticam a condução do governo federal e a resistência a medidas recomendadas por organismos internacionais de saúde.

A carta também cita indicadores de mortalidade materna, internações de crianças por desnutrição e insegurança alimentar, além de mencionar o retorno do Brasil ao Mapa da Fome.

Na área da segurança pública, as organizações criticam a flexibilização da política de armas e apontam preocupação com a violência contra as mulheres, incluindo os casos de feminicídio.

Os dados e as avaliações apresentados nesses trechos são utilizados pelas entidades para sustentar sua posição contrária à eleição do candidato do PL.

Entidades convocam eleitores a refletir sobre a escolha

Ao final, as organizações defendem que os eleitores analisem as propostas e o histórico dos dois candidatos antes de votar.

O documento afirma que o segundo turno representa um momento de reflexão sobre os rumos do país e destaca possíveis consequências das decisões políticas para as próximas gerações.

A carta termina com um chamado à participação eleitoral e à construção de um país que, segundo os signatários, priorize a prosperidade coletiva, os direitos humanos e a proteção dos povos e territórios.

Quem assina a carta

O documento reúne 28 organizações:

  1. Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor);
  2. Associação Agroextrativista de Auati-Paraná (AAPA);
  3. Associação dos Comunitários e Indígenas que Trabalham com o Desenvolvimento Sustentável do Município de Jutaí (ACJ);
  4. Associação Indígena do Povo das Águas (AIPA);
  5. Associação do Povo Tâkuna do Rio Xeruã (Aspotax);
  6. Associação do Povo Deni do Rio Xeruã (Aspodex);
  7. Associação do Povo Indígena Mura (APIM);
  8. Associação dos Produtores da Reserva Extrativista do Rio Jutaí (Asproju);
  9. Associação Thutalinãnsu;
  10. Associação do Povo Indígena Apurinã da Terra Indígena Itixi Mitari (APIATI);
  11. Associação dos Trabalhadores Rurais de Juruá (Astruj);
  12. Associação Terra Indígena Xingu (ATIX);
  13. Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab);
  14. Conselho Indigenista Missionário (Cimi);
  15. Conselho dos Povos Indígenas de Jutaí (Copiju);
  16. Coletivo do Pirarucu;
  17. Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt);
  18. Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus (Focimp);
  19. Federação dos Manejadores e Manejadoras de Pirarucu de Mamirauá (Femapam);
  20. Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad);
  21. Katahirine – Rede Audiovisual das Mulheres Indígenas;
  22. Instituto Indígena Força Fé e Esperança;
  23. Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB);
  24. Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi);
  25. Observatório Socioambiental de Mato Grosso (Observa-MT);
  26. Operação Amazônia Nativa (OPAN);
  27. Organização Geral dos Mayuruna (OGM);
  28. Rede Juruena Vivo.

 

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