A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, fez um alerta sobre a desigualdade de gênero, a violência contra a mulher e a falta de reconhecimento das contribuições femininas ao longo da história. A manifestação ocorreu nesta terça-feira (13), durante a Semana do Conhecimento da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.
Em sua palestra, a magistrada afirmou que, apesar das garantias de igualdade previstas na Constituição Federal, o Brasil ainda enfrenta barreiras culturais e sociais que dificultam a participação plena das mulheres. Ela também criticou a presença do machismo e da misoginia nas relações sociais.
“Apesar de termos uma Constituição que garante direitos iguais, nós não vivemos num mundo em que a igualação já se fez”, declarou.
O debate ganhou ainda mais relevância diante dos números apresentados no material do Instituto Caliandra, ligado ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Segundo os dados citados, 40 mulheres foram assassinadas no estado entre janeiro e outubro de 2026, aproximando-se do total de 57 vítimas registrado durante todo o ano passado. A classificação de cada ocorrência precisa ser considerada conforme os registros oficiais.
Ministra denuncia apagamento das mulheres na ciência
Durante a conferência, Cármen Lúcia destacou que a desigualdade também aparece na produção científica, área em que mulheres enfrentaram obstáculos para estudar, pesquisar e conquistar reconhecimento.
Como exemplos, citou Marie Curie, pioneira nos estudos sobre radioatividade; Rosalind Franklin, cujas imagens de difração de raios X foram fundamentais para a compreensão da estrutura do DNA; e Jocelyn Bell Burnell, responsável pela descoberta dos pulsares, cujo orientador recebeu o Nobel de Física em 1974.
“Nós temos uma dezena de casos como este na ciência, em que as mulheres tinham trabalhado, conseguido, a duras penas, chegar aos mesmos espaços, e não são reconhecidas”, afirmou.
A ministra também lembrou mulheres que participaram da história brasileira, mas que tiveram suas contribuições pouco reconhecidas nos registros históricos, como Hipólita Jacinta e Bárbara de Alencar.
“Parem de nos matar”, diz Cármen Lúcia
Ao abordar a violência contra as mulheres, a magistrada relacionou os crimes motivados por gênero à desigualdade que ainda marca a sociedade brasileira.
Cármen Lúcia ressaltou que o enfrentamento à violência exige mudanças culturais, fortalecimento dos mecanismos de proteção e conscientização social.
Ao recordar uma fala feita anteriormente a um grupo de mulheres, a ministra declarou: “Melhor a gente avisar para os homens, parem de nos matar, porque nós resolvemos parar de morrer”.
A declaração chamou atenção para a persistência dos assassinatos de mulheres e para a necessidade de ações efetivas de prevenção, investigação e responsabilização dos autores.
Representação feminina e democracia
A participação das mulheres nos espaços de poder também esteve entre os temas abordados pela ministra. Embora representem a maioria da população brasileira e do eleitorado, elas ainda enfrentam dificuldades para alcançar igualdade de oportunidades em cargos de liderança e em instituições políticas e acadêmicas.
Para Cármen Lúcia, a democracia depende do respeito à diversidade e da garantia de participação de diferentes grupos sociais.
“Não vamos chegar nunca a uma democracia se alguém achar que vai perder o voto”, afirmou, ao defender a pluralidade como característica essencial da sociedade brasileira.
A palestra integrou a programação da Semana do Conhecimento da UFMT, que reúne atividades acadêmicas voltadas à ciência, à produção de conhecimento e ao debate sobre democracia e equidade.
O pronunciamento reforçou a importância de reconhecer a contribuição histórica das mulheres e de enfrentar a violência de gênero, um problema que continua exigindo atenção das autoridades e da sociedade em Mato Grosso e em todo o país.
✍️ Da redação do Sorriso News MT
🟦 Sorriso News MT — Sua fonte de notícia, sua conexão com a verdade.
📘 Facebook: @sorrisonewsmt | 📸 Instagram: @sorrisonewsoficial | 💬 WhatsApp: (66) 99934-4590