O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) determinou a realização de diligências para apurar uma publicação atribuída ao vereador de Cuiabá Rafael Ranalli, divulgada nas redes sociais após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026.
A apuração foi instaurada nesta quinta-feira (29) pela 36ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá, especializada na Defesa da Probidade Administrativa e do Patrimônio Público, sob responsabilidade da promotora de Justiça Lindinalva Correia Rodrigues.
O procedimento teve início após o recebimento de uma denúncia encaminhada à Ouvidoria do Ministério Público. Conforme o relato, o parlamentar teria compartilhado uma imagem do mapa do Brasil na qual a Região Nordeste aparece sobreposta à figura de um jumento. A publicação teria associado eleitores nordestinos a estereótipos depreciativos em razão de suas escolhas políticas e eleitorais.
MP quer esclarecer autoria e uso de recursos públicos
No despacho, a promotora aponta que informações divulgadas pela imprensa indicam que a postagem ocorreu após a divulgação dos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 e que o conteúdo teria sido posteriormente removido das redes sociais do vereador.
Entre os pontos que serão apurados estão a autoria da publicação, o contexto em que foi divulgada e os meios utilizados para sua elaboração e compartilhamento.
A Promotoria também busca verificar se houve utilização de recursos públicos, equipamentos ou canais institucionais vinculados ao mandato parlamentar.
A investigação pretende esclarecer eventual violação aos princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa, previstos na legislação que trata da improbidade administrativa.
Câmara e vereador terão prazo para prestar esclarecimentos
Como primeiras providências, o Ministério Público encaminhou ofício à Câmara Municipal de Cuiabá, solicitando informações sobre a eventual abertura de procedimento interno relacionado ao caso.
O Legislativo deverá responder no prazo de 10 dias úteis e esclarecer se foram utilizados equipamentos, recursos ou canais oficiais da instituição na elaboração ou divulgação da publicação. Também deverá informar se houve alguma manifestação institucional sobre o episódio.
Rafael Ranalli foi notificado para prestar esclarecimentos sobre a autoria da postagem, o contexto de sua divulgação e uma possível relação dos fatos com as atividades institucionais do mandato.
Caso também pode ser analisado na esfera criminal
A promotora determinou ainda a verificação do encaminhamento de cópia integral dos autos ao Núcleo de Atuação Judicial Criminal das Promotorias de Justiça de Cuiabá.
O objetivo é permitir a análise de eventual enquadramento da conduta no artigo 20 da Lei nº 7.716/1989, que trata de crimes resultantes de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Até o momento, as medidas determinadas pelo MPMT têm caráter investigativo. A apuração busca reunir informações e esclarecer as circunstâncias do episódio, sem representar, por si só, uma conclusão sobre a existência de irregularidade ou crime.