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A Polícia Federal identificou 150 saques em dinheiro vivo que totalizaram R$ 15,6 milhões em contas bancárias do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida. Segundo a investigação, 64 dessas retiradas foram feitas diretamente no caixa de uma agência bancária instalada no prédio do órgão e somaram R$ 15,4 milhões. As movimentações são apontadas como parte de um suposto esquema de pagamentos irregulares e circulação de dinheiro em espécie dentro do Tribunal.

Os dados constam na decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a prisão preventiva de Sérgio Ricardo e de outros cinco investigados. O levantamento da PF identificou 150 retiradas, sendo 86 em terminais de autoatendimento e 64 diretamente no caixa da instituição financeira.

 

A PF também analisou imagens do circuito interno da agência instalada nas dependências do TCE-MT. Segundo o relatório policial, Roseli Loss, então chefe de gabinete de Sérgio Ricardo, aparece em operações reiteradas de retirada e entrega de dinheiro. As imagens registraram saques que somaram aproximadamente R$ 3,5 milhões atribuídos a ela. Em seis ocasiões, os investigadores apontam que os valores teriam sido entregues a Adriangelo Barros Antunes, ex-cunhado de Sérgio Ricardo e também investigado no caso.

A investigação identificou movimentações de alto valor que eram precedidas de solicitações para que o banco disponibilizasse o dinheiro. Entre elas, estão saques de R$ 500 mil em 30 de setembro de 2025 e de R$ 490 mil em 8 de outubro do mesmo ano. Também foram registrados pedidos de provisionamento de R$ 490 mil para os dias 14 e 22 de outubro.

 

De acordo com a PF, parte dos recursos que chegaram às contas de Sérgio Ricardo tinha origem em pagamentos realizados pelo próprio TCE-MT. No período de 1º de janeiro a 22 de outubro de 2025, foram identificados 101 lançamentos destinados ao conselheiro, que totalizaram R$ 15,4 milhões. Desse montante, R$ 10,7 milhões foram classificados como ordens bancárias avulsas, enquanto outros R$ 4,3 milhões apareceram sob a rubrica de pagamentos a fornecedores. Os registros também incluem R$ 304,9 mil em salários.

 

A investigação aponta ainda que parte das retiradas era realizada por Roseli Loss. Ela tinha procuração para movimentar contas bancárias do conselheiro e aparece nos registros como responsável por saques em dinheiro desde o primeiro semestre de 2024.

 

Em duas operações identificadas pelos investigadores, Roseli retirou R$ 200 mil em 5 de fevereiro de 2024 e outros R$ 340 mil em 30 de abril daquele ano, sempre de contas de titularidade de Sérgio Ricardo.

 

A Polícia Federal sustenta que Sérgio Ricardo ocupava posição de comando na estrutura investigada e que os operadores financeiros atuariam na conversão em dinheiro vivo de recursos provenientes dos cofres do Tribunal. A decisão do STJ considerou o volume das movimentações, a frequência dos saques e o risco de continuidade das práticas investigadas para justificar a prisão preventiva.

O caso segue sob investigação. Os valores e as operações descritos nos autos são apontamentos da Polícia Federal e não representam, por si só, comprovação de desvio ou apropriação de dinheiro público.

 

A operação

 

Como já informado pelo Gazeta Digital, a PF mobilizou mais de 180 policiais para cumprir seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

 

Além de Sérgio Ricardo, estão entre os alvos presos: Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, consultor jurídico-geral do TCE-MT; Felipe José Glinke e Adriangelo Barros Antunes, servidores da instituição; Roseli Loss, secretária executiva do tribunal; e Gustavo Fernandes da Silva.

 

A operação também resultou no afastamento dos conselheiros Guilherme Maluf e Alisson Alencar, que foram alvos de mandados de busca e apreensão. Valter Albano, conselheiro aposentado que integrou a comissão de fiscalização da corte, também foi atingido por medida de afastamento, conforme informações preliminares.

 

A investigação apura indícios de que a suspensão de contratos administrativos teria sido utilizada como mecanismo de pressão sobre fornecedores, além de possível tratamento diferenciado na liberação de recursos públicos.

 

Também são investigadas divergências nos pagamentos a empresas, movimentações financeiras atípicas envolvendo servidores e saques recorrentes em espécie. A PF busca esclarecer possíveis relações entre créditos bancários e retiradas realizadas nas dependências do tribunal.

Os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A investigação está em andamento, e os mandados de prisão preventiva não representam condenação dos investigados.

 

Gazeta Digital

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