Com o cenário econômico e político tão instável nos últimos tempos, financiamentos, juros e dívidas têm tirado o sono dos produtores rurais, de norte a sul do Brasil. Quando as dívidas impactam o fluxo de caixa e o acesso a crédito, a continuidade das atividades, que deveriam geram riquezas e pagar as contas, ficam comprometidas. Para complicar, os contratos bancários são complexos, com burocracia excessiva e intermináveis exigências documentais. Tudo isso deixa o cenário ainda mais nebuloso para quem deveria concentrar energia na produção que alimenta o país.
“Este não é e nunca foi o foco do produtor rural. As propriedades rurais estão sempre buscando produzir mais e melhor. E é isto o que o agro brasileiro faz muito bem, já há muito tempo”, conta a advogada Valquíria Soares Malinovski. Com mais de 14 anos de experiência no tratamento de endividamento, contratos bancários, negociação e reestruturação de operações financeiras, ela já participou da negociação de mais de R$ 1 bilhão em operações de crédito rural.
Junto com mais três sócios, ela fundou uma empresa que atua diretamente na gestão estratégica de endividamento para propriedades rurais. A Vesyca Agro é especializada em inteligência financeira e bancária para o agronegócio. “A proposta é ajudar o produtor a deixar de tomar decisões financeiras no improviso e passar a administrar o endividamento com base em números, documentos, cenários e estratégia”, explica ela, que é filha de produtores rurais. “Sei o que é ter o próprio negócio ameaçado. A insegurança da continuidade das operações e o medo de perder patrimônio”.
A empresa atua levando em conta que cenários adversos sempre existirão: juros altos, eventos climáticos extremos, pragas, doenças. O produtor rural não está a salvo de prejuízos imprevisíveis. Mas planejamento financeiro pode e deve ser um aliado para o agronegócio. Na prática, a Vesyca Agro atua primeiro para entender a situação financeira e econômica da propriedade para, só então, definir quais caminhos podem ser adotados.
Antes de negociar, é preciso saber quanto é possível pagar
Um dos principais problemas enfrentados pelo produtor endividado é negociar cada contrato isoladamente, sem uma visão completa da operação. Segundo a especialista em Gestão de Endividamento de Operações no Agronegócio e CEO da Vesyca Agro, uma renegociação pode até aliviar a pressão no curto prazo. “Mas, se não estiver de acordo com a capacidade de geração de caixa da propriedade, pode simplesmente transferir o problema para a próxima safra”, explica Valquíria.
“Nosso trabalho começa pelo diagnóstico. A equipe realiza o levantamento das dívidas, análise dos contratos, avaliação do fluxo de caixa, capacidade real de pagamento, identificação de riscos, análise da viabilidade econômica e elaboração de laudos técnicos. A partir dessas informações, é construído um plano de negociação.”
Uma das premissas da empresa é entender a real capacidade de pagamento da operação antes de renegociar. “A proposta é substituir decisões tomadas sob pressão por uma estratégia construída a partir da realidade econômica da propriedade.”
Bancos falam a língua dos números
Para muitos produtores, uma das maiores dificuldades está justamente em reunir informações, documentos e números necessários para apresentar sua situação financeira às instituições bancárias.
A negociação bancária é estruturada com base em números, cenários, capacidade de pagamento comprovada, documentação organizada, laudos técnicos e uma proposta considerada sustentável para a operação.
O objetivo da gestão de endividamento é evitar uma relação de confronto com os bancos, e estruturar operações que sejam economicamente viáveis, tanto para o produtor quanto para o credor, preservando a relação bancária e a continuidade do acesso ao crédito.
