As compras em sites internacionais já fazem parte da rotina mensal de 41% dos consumidores brasileiros. O hábito demonstra como as plataformas estrangeiras ganharam espaço no comércio eletrônico e passaram a disputar de forma recorrente o orçamento das famílias.
O dado faz parte da pesquisa Comportamento de compra do consumidor em sites internacionais, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise.
Nos três meses anteriores ao levantamento, os entrevistados realizaram, em média, quatro pedidos em sites estrangeiros. O resultado equivale a mais de uma compra por mês e reforça a presença dos canais internacionais nos hábitos de consumo dos brasileiros.
Compras internacionais alcançam 81,2 milhões de consumidores
Entre os consumidores digitais que utilizaram canais com vendedores estrangeiros, 61% compraram pelo menos um produto importado nos últimos 12 meses. O percentual corresponde a aproximadamente 81,2 milhões de pessoas, um aumento de 13,1 milhões em relação a 2025.
A popularização das plataformas digitais contribui para esse movimento. Entre os canais utilizados para compras, a Shopee aparece com 76% das citações, seguida pelo Mercado Livre, com 70%, e pela Amazon, com 45%.
Quando a análise considera especificamente os sites utilizados para importação, a Shopee mantém a liderança, com 73%, seguida pela Shein, com 50%. Amazon e Mercado Livre aparecem empatados, ambos com 44%.
Os números indicam a presença dessas plataformas na jornada de compra e a concorrência entre diferentes canais pelo consumidor brasileiro.
Roupas e acessórios lideram as compras no exterior
As categorias mais procuradas também ajudam a explicar a frequência das compras internacionais. Roupas lideram a lista, com 45% das citações, seguidas por acessórios de moda, com 28%, e calçados e cosméticos, ambos com 25%.
São segmentos com ampla variedade de produtos e renovação constante de ofertas, características que favorecem novas compras ao longo do ano.
Apesar da recorrência, o valor gasto em cada transação é relativamente baixo. O ticket médio da última compra internacional foi de R$ 188, abaixo dos R$ 225 registrados nas compras nacionais.
A diferença sugere que o comércio internacional também ocupa espaço nas aquisições de menor valor. Promoções, variedade de produtos e a possibilidade de encontrar itens específicos podem estimular compras em diferentes momentos.
O PIX, utilizado por 61% dos consumidores pesquisados, também aparece entre os meios de pagamento relevantes nesse mercado.
Problemas de entrega e atendimento desafiam plataformas
A frequência das compras aumenta a importância da experiência do consumidor. Atendimento, prazo de entrega, segurança e facilidade de pagamento passam a influenciar a decisão de continuar utilizando determinada plataforma.
Embora 81% dos entrevistados afirmem estar satisfeitos ou muito satisfeitos com suas experiências, 37% relataram algum problema na última compra internacional.
A falta de suporte ao cliente foi mencionada por 12% dos participantes, enquanto 10% apontaram atrasos na entrega.
Os resultados revelam um contraste entre a satisfação geral com as compras internacionais e as dificuldades enfrentadas por parte dos consumidores. Para as plataformas, a manutenção da confiança depende não apenas dos preços e da variedade de produtos, mas também da capacidade de solucionar problemas e cumprir prazos.
Varejo brasileiro disputa consumidor com plataformas estrangeiras
A consolidação das compras internacionais amplia a concorrência no comércio eletrônico brasileiro. Em vez de disputar apenas uma venda eventual, empresas nacionais e estrangeiras buscam conquistar consumidores que compram com frequência e distribuem seus gastos entre diferentes plataformas.
O levantamento analisado pelo CenarioMT mostra que os canais internacionais já ocupam uma posição relevante no orçamento de consumo, especialmente em categorias como vestuário, acessórios, calçados e cosméticos.
Nesse cenário, preço, variedade, conveniência e qualidade do atendimento são fatores importantes para a competitividade. Para o varejo brasileiro, compreender os hábitos dos consumidores e investir na experiência de compra pode ajudar a enfrentar a concorrência das plataformas estrangeiras.