A 16 dias do segundo turno das eleições presidenciais, o governo federal anunciou nesta sexta-feira (9/10), em entrevista coletiva no Ministério da Fazenda em Brasília, um pacote com quatro medidas de impacto para conter a alta dos combustíveis motivada pelos reflexos da guerra no Oriente Médio. A principal ação anunciada pela equipe econômica — integrada pelos ministros Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) e Dario Durigan (Casa Civil), além dos secretários Renato Dutra e Ricardo Morishita — foi a anulação total das alíquotas de PIS/Cofins sobre a gasolina, elevando o desconto de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro. O leitor do CenárioMT acompanha os desdobramentos dessas decisões econômicas que mexem com o cenário político nacional a poucos dias da votação definitiva.
O pacote de R$ 2,65 bilhões mensais também inclui a prorrogação da desoneração do etanol em R$ 0,19 por litro, o aumento da subvenção aos produtores de etanol de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro, e um adicional de R$ 1,40 por litro na subvenção aos importadores de óleo diesel rodoviário, totalizando um subsídio de R$ 3,52 para o diesel.
Detalhes do pacote e o impacto fiscal
As renúncias e subsídios anunciados geram um custo adicional estimado em R$ 2,65 bilhões por mês aos cofres públicos, com impacto total projetado em R$ 3,6 bilhões para 2026, considerando as medidas já em vigor. O governo sustenta que a neutralidade fiscal será mantida por meio de receitas extraordinárias, incluindo a aplicação de uma alíquota de 12% sobre a exportação de óleo diesel e a arrecadação gerada pela alta nos preços do petróleo.
O custo mensal de R$ 2,65 bilhões é distribuído entre R$ 700 milhões para a gasolina, R$ 350 milhões para o etanol e R$ 1,6 bilhão para o diesel.
Diante do peso dos combustíveis na inflação de setembro — quando o grupo de transportes subiu 1,41% e pressionou o índice geral —, o governo reforçou a necessidade de uma fiscalização rigorosa por parte da população e dos órgãos competentes para garantir que o repasse chegue efetivamente ao consumidor final nos postos.
O cenário eleitoral e a corrida presidencial
O anúncio das medidas econômicas ocorre em um momento de intensa disputa eleitoral, exatos 16 dias antes da realização do segundo turno das eleições. Pesquisas recentes divulgadas na véspera apontam um cenário de forte acirramento na corrida pela Presidência da República.
Pesquisas divulgadas em outubro colocam o senador Flávio Bolsonaro (PL) na liderança, registrando 52% no Datafolha e 52,8% nos votos válidos na sondagem AtlasIntel/Bloomberg.
Enquanto o governo aposta na contenção dos preços dos combustíveis para aliviar a inflação e recuperar apoio popular, o mercado e o cenário político acompanham de perto os reflexos dessas decisões nas urnas e na economia nas próximas semanas.
O impacto para o consumidor e o mercado em Mato Grosso
Para os motoristas, produtores rurais e empresários de Mato Grosso, a zeragem dos tributos federais sobre a gasolina e o reajuste nos subsídios do diesel e do etanol trazem um alívio temporário nos custos logísticos e no transporte de cargas. Como o estado depende fortemente do escoamento rodoviário para a produção agrícola, qualquer variação nos preços dos combustíveis impacta diretamente a competitividade regional e os gastos cotidianos da população mato-grossense.