A Polícia Federal apreendeu R$ 5.077.387,34 em dinheiro vivo durante a Operação Tomada de Contas, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro envolvendo o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT).
O montante reúne valores encontrados em diferentes moedas: R$ 4.360.607,00 em reais, US$ 106.865,00 em dólares, € 19.870,00 em euros, £ 2.000,00 em libras esterlinas e US$ 3.650,00 em pesos argentinos, conforme o balanço divulgado pela corporação.
As diligências continuam, e equipes da Polícia Federal ainda realizavam a contabilização de recursos em contas da Caixa Econômica Federal nesta sexta-feira (30).
Operação apreendeu veículos, armas e artigos de luxo
Além do dinheiro em espécie, o balanço da Polícia Federal aponta a apreensão de:
- 27 telefones celulares;
- 31 veículos;
- 16 armas de fogo;
- 6.512 munições;
- 167 relógios de luxo;
- 112 garrafas de vinho.
Durante as diligências, também foi registrada uma prisão em flagrante por posse irregular de armas e lavrado um termo circunstanciado de ocorrência relacionado a drogas.
A operação mobilizou mais de 180 policiais federais para cumprir mandados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, por determinação do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A ação resultou na prisão preventiva de seis pessoas, entre elas o conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, então presidente do TCE-MT, que foi afastado do cargo.
Investigação aponta movimentação atípica de R$ 75,85 milhões
De acordo com as informações da investigação, o suposto esquema utilizaria uma estrutura paralela de pagamentos, com ordens bancárias avulsas e canais originalmente destinados ao pagamento de fornecedores.
Entre janeiro e outubro de 2025, foram identificadas movimentações consideradas atípicas que somam aproximadamente R$ 75,85 milhões.
Um dos pontos analisados envolve as movimentações financeiras atribuídas a Sérgio Ricardo. Segundo os dados apresentados na investigação, os extratos bancários apontaram mais de R$ 15 milhões em créditos, além de aproximadamente 150 saques em dinheiro realizados nas dependências da instituição.
Os investigadores também apuram a atuação de possíveis operadores financeiros, articuladores e pessoas responsáveis pelo transporte de valores, que teriam participado da movimentação e ocultação dos recursos.
Conselheiros foram afastados
Além das prisões, a decisão judicial determinou o afastamento de conselheiros do Tribunal de Contas. Entre os nomes citados no balanço estão Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Carvalho de Alencar. O conselheiro aposentado Valter Albano também foi alcançado por medidas determinadas no âmbito da investigação.
A Polícia Federal apura possíveis crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As investigações continuam para identificar a origem e o destino dos recursos, esclarecer a participação de cada investigado e dimensionar o alcance do suposto esquema.
Até o momento, as suspeitas fazem parte de uma investigação em andamento e deverão ser submetidas à análise da Justiça.
✍️ Da redação do Sorriso News MT
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