A apreensão de 16 armas de fogo, mais de oito mil munições e centenas de milhares de reais em dinheiro foi apontada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como um dos elementos que indicariam a periculosidade de um grupo investigado por suposto esquema de corrupção no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT).
O posicionamento consta em parecer assinado pelo subprocurador-geral da República, Paulo Vasconcelos Jacobina, no qual a PGR recomenda a manutenção das prisões dos investigados, inclusive do presidente do TCE-MT, conselheiro Sergio Ricardo.
O documento menciona a existência de um possível braço armado da organização criminosa investigada. Para a Procuradoria, o material apreendido reforçaria o risco de continuidade das supostas atividades ilícitas e de interferência na produção de provas.
ARMAS, MUNIÇÕES E DINHEIRO APREENDIDOS
As armas e munições foram encontradas durante o cumprimento de mandados judiciais da Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal em 29 de outubro, por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo o parecer, o armamento estava na residência de Jocimauro Bento do Carmo, servidor do TCE-MT que atuava na Comissão Permanente de Infraestrutura, Tecnologia e Desestatização, então presidida pelo conselheiro José Carlos Novelli, também afastado do cargo no âmbito da operação.
No imóvel, os policiais federais também encontraram mais de R$ 677 mil em dinheiro, além de 10,4 mil euros e 25 mil dólares em espécie.
Jocimauro foi preso durante a operação, mas posteriormente recebeu liberdade após decisão do Núcleo do Juiz de Garantias do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), mediante pagamento de fiança de 60 salários mínimos, valor superior a R$ 97 mil.
PGR DEFENDE MANUTENÇÃO DAS PRISÕES
No parecer, a Procuradoria sustenta que os elementos reunidos justificam a manutenção das prisões preventivas, diante da possibilidade de continuidade das condutas criminosas atribuídas aos investigados e de interferência nas provas.
A manifestação inclui o presidente do TCE-MT, Sergio Ricardo, entre os alvos cuja prisão a PGR considera necessária. O posicionamento integra a análise das medidas judiciais relacionadas à investigação.
O QUE INVESTIGA A OPERAÇÃO TOMADA DE CONTAS
A Polícia Federal apura suspeitas de irregularidades em pagamentos de contratos ligados ao Tribunal de Contas do Estado.
Por determinação do ministro Og Fernandes, do STJ, foram impostas medidas cautelares contra 15 alvos, incluindo conselheiros, servidores e outras pessoas apontadas como supostamente envolvidas na estrutura investigada.
Entre as restrições estão a proibição de acesso ao TCE-MT e aos sistemas internos do órgão, o afastamento de funções vinculadas ao Tribunal, a proibição de contato entre os investigados e a restrição de viagens ao exterior.
Além de Sergio Ricardo, aparecem entre os alvos os conselheiros Guilherme Antônio Maluf, José Carlos Novelli, Valter Albano da Silva e Alisson Carvalho de Alencar.
Também são citados os servidores e demais investigados Adjaír Roque de Arruda, Carlos Alexandre Pereira, Carlos Felipe Oliveira Almeida, Carlos Romeu Rodrigues Medeiros, Edson Luiz Ribeiro de Oliveira, Eneias Viegas da Silva, Jocimauro Bento do Carmo, Maurício Marques Júnior, Márcio Antônio Silvério, Olavo Lage Filho e Vitor Turri Romano.
As suspeitas seguem no âmbito da investigação, e as medidas judiciais mencionadas não representam, por si só, uma condenação dos envolvidos.
✍️ Da redação do Sorriso News MT
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