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PF aponta suposta divisão de funções em esquema no TCE-MT e identifica movimentação suspeita de R$ 75,8 milhões

Decisão do STJ descreve seis investigados com supostos papéis de comando, articulação financeira e jurídica, saques e transporte de dinheiro; presidente do Tribunal é apontado pela investigação como líder da estrutura.

A investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de desvio e circulação de recursos no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) identificou seis pessoas que, segundo a representação policial, teriam desempenhado funções distintas em uma estrutura investigada por possíveis irregularidades financeiras.

O grupo seria organizado em diferentes etapas, envolvendo um suposto núcleo de comando, articuladores financeiros e jurídicos e pessoas encarregadas de sacar, transportar e movimentar dinheiro em espécie.

O presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, é apontado pela Polícia Federal como responsável pela liderança da estrutura investigada.

Na decisão que autorizou as prisões preventivas, o ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), destacou elementos apresentados pela PF que indicariam a participação dos investigados em diferentes etapas da dinâmica financeira descrita na apuração.

Análise aponta R$ 75,8 milhões em movimentações suspeitas

Segundo a Polícia Federal, a análise bancária realizada entre 1º de janeiro e 22 de outubro de 2025, período de 294 dias, identificou movimentações consideradas suspeitas que totalizaram R$ 75.858.726,27.

A investigação aponta que os valores teriam passado por operadores financeiros que supostamente atuariam na conversão de recursos em dinheiro vivo.

A decisão também menciona aproximadamente R$ 15,6 milhões em saques em espécie atribuídos a Sérgio Ricardo.

Os valores integram a análise policial e não representam, por si só, uma comprovação de que todo o montante tenha origem ilícita.

Suspensão de contratos também entrou na investigação

A Polícia Federal analisou medidas administrativas adotadas pelo TCE-MT em 2024 que determinaram a suspensão temporária de contratos.

A Portaria nº 126, publicada em 5 de agosto daquele ano, estabeleceu a suspensão dos contratos vigentes por 90 dias, incluindo pagamentos e outras verbas contratuais. Foram previstas exceções para serviços essenciais e contratos que a Presidência considerasse fora da medida.

Posteriormente, em outubro, a Portaria nº 172 prorrogou a suspensão até 31 de dezembro de 2024.

Apesar das determinações, a investigação identificou 1.624 pagamentos realizados a 94 empresas durante aquele ano. Desse total, 55 empresas teriam recebido recursos antes e depois da publicação da primeira portaria, enquanto 21 teriam deixado de receber pagamentos após a determinação.

A PF investiga se as medidas administrativas teriam sido utilizadas como mecanismo de pressão sobre fornecedores.

Veja o papel atribuído a cada um dos seis investigados

Sérgio Ricardo de Almeida — suposto núcleo de comando

Presidente do TCE-MT, é apontado pela PF como responsável pela liderança da estrutura investigada. Segundo a representação policial, ele teria utilizado poderes de gestão no Tribunal para autorizar contratos, editar portarias, nomear ocupantes de cargos estratégicos e influenciar setores envolvidos nos pagamentos.

A investigação também atribui a ele aproximadamente R$ 15,6 milhões em saques em espécie, dentro de uma movimentação bancária considerada suspeita de R$ 75,8 milhões no período analisado.

Grhegory Paiva Pires Moreira Maia — articulação jurídica e financeira

Consultor jurídico-geral do TCE-MT, é apontado como um dos principais articuladores da estrutura e como o maior destinatário individual dos recursos analisados.

Conforme a decisão, ele teria recebido aproximadamente R$ 32,3 milhões, distribuídos em diferentes contas bancárias.

A PF também investiga a possível utilização de empresas para ocultação de valores. Entre as estruturas mencionadas estão uma holding familiar e uma empresa relacionada à criação e comercialização de cavalos.

Gustavo Fernandes da Silva — suposto operador financeiro

Assistente jurídico comissionado subordinado a Grhegory, teria recebido cerca de R$ 15,9 milhões, segundo a investigação.

A representação policial aponta sua participação em operações bancárias e saques. Imagens de uma agência do Sicoob localizada nas dependências do Tribunal teriam registrado movimentações realizadas por ele, algumas após o recebimento de ordens bancárias.

Felipe José Glinke — suposto operador financeiro

Assessor jurídico da Presidência do TCE-MT, é apontado pela PF como participante de operações de saque e manuseio de dinheiro.

Segundo a investigação, ele teria recebido aproximadamente R$ 9,9 milhões. A decisão menciona imagens de operações bancárias e descreve uma situação em que Felipe teria aguardado a saída de uma pessoa próxima aos caixas antes de receber valores. Também é relatada uma operação na qual parte do dinheiro teria sido devolvida à funcionária da agência.

Roseli Loss — suposta responsável pela execução de saques

Chefe de gabinete de Sérgio Ricardo, é descrita pela PF como pessoa de confiança do presidente do Tribunal e responsável por operações de retirada de dinheiro.

A investigação afirma que ela teria movimentado contas vinculadas a Sérgio Ricardo, inclusive antes de se tornar procuradora bancária. Os saques atribuídos a ela somariam aproximadamente R$ 3,5 milhões.

Parte dos valores teria sido entregue a Adriangelo Barros Antunes, conforme a representação policial.

Adriangelo Barros Antunes — suposto responsável pelo transporte de dinheiro

Secretário-executivo de comissão permanente do TCE-MT e ex-cunhado de Sérgio Ricardo, é apontado como responsável pelo transporte e circulação física de dinheiro em espécie.

Segundo a PF, ele teria recebido valores sacados por Roseli e levado o numerário para as dependências do Tribunal.

A decisão menciona imagens de uma pessoa com características compatíveis com Adriangelo entrando em uma agência bancária com uma mochila aparentemente vazia e saindo com ela aparentemente carregada. A investigação também atribui a ele o recebimento de aproximadamente R$ 2,2 milhões a partir de setembro de 2025.

Investigação segue em andamento

As informações fazem parte dos elementos apresentados pela Polícia Federal ao Superior Tribunal de Justiça para fundamentar os pedidos de prisão preventiva.

A apuração busca esclarecer a origem, a circulação e a possível destinação dos recursos, além de identificar a participação individual de cada investigado.

Os seis citados foram presos no âmbito da Operação Tomada de Contas. As acusações ainda estão sob investigação e não representam condenação. Todos têm direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência.

✍️ Da redação do Sorriso News MT

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