As apostas online estão comprometendo o orçamento de parte dos apostadores brasileiros. Um em cada quatro apostadores, o equivalente a 25%, afirma já ter deixado alguma conta sem pagar para usar o dinheiro em jogos. Além disso, 24% relatam ter ficado com o nome negativado em razão dos gastos com apostas.
Os dados são da pesquisa Apostas Online: entre o prazer do jogo e o risco financeiro, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas.
O levantamento revela que, para uma parcela dos consumidores, as apostas deixaram de representar apenas uma forma de lazer e passaram a disputar recursos com despesas do dia a dia. Quando o dinheiro destinado a contas é usado para jogar, o impacto pode se prolongar por meses, com juros, multas, dívidas e restrições de crédito.
Apostas online deixam consumidores com nome negativado
Entre os apostadores que tiveram o nome negativado por causa dos jogos, 13% afirmam ter regularizado a situação, enquanto 11% continuam com restrições.
Os números mostram que as consequências financeiras podem persistir mesmo depois que o consumidor interrompe ou reduz as apostas. A recuperação exige reorganização do orçamento, negociação de dívidas e, em alguns casos, um período para restabelecer o acesso ao crédito.
A negativação pode dificultar a contratação de empréstimos, a obtenção de cartões e o parcelamento de compras. O problema também afeta o comércio, já que o endividamento reduz a capacidade de consumo das famílias.
Gasto mensal com apostas chega a R$ 213
O comprometimento financeiro ocorre em um cenário de aumento dos valores destinados aos jogos. Segundo a pesquisa, o gasto médio mensal com apostas chegou a R$ 213 em 2026, ante R$ 187 no ano anterior, uma alta de aproximadamente 14%.
Além disso, 23% dos apostadores reconhecem já ter destinado às plataformas valores que comprometeram a renda ou o bem-estar financeiro.
Outros 43% afirmam ter deixado de consumir algum produto ou serviço do cotidiano para direcionar dinheiro às apostas.
Os dados indicam que os efeitos sobre o orçamento não se limitam às perdas registradas nas plataformas. Em alguns casos, o dinheiro usado para jogar substitui recursos que seriam destinados a compras, serviços e compromissos financeiros.
Contas básicas também são afetadas pelas apostas
O comprometimento da renda alcança despesas essenciais. De acordo com o levantamento, 13% dos apostadores já deixaram de destinar dinheiro a contas de água, energia elétrica e telefone para continuar jogando.
A frequência das apostas também ajuda a dimensionar a exposição dos consumidores. Entre os entrevistados, 62% acessam as plataformas pelo menos uma vez por semana, incluindo aqueles que apostam diariamente ou duas a três vezes por semana.
Outro fator é a facilidade para movimentar dinheiro. O Pix é utilizado por 78% dos apostadores, segundo a pesquisa.
Embora depósitos individuais possam parecer pequenos, a repetição das transações pode ampliar o valor acumulado ao longo do mês. Quando isso ocorre sem controle do orçamento, despesas importantes podem acabar sendo adiadas.
Impacto financeiro vai além do dinheiro perdido nos jogos
Os dados da pesquisa mostram que os efeitos das apostas online precisam ser avaliados também pelas consequências sobre a vida financeira dos consumidores.
Deixar contas em atraso, comprometer despesas essenciais e acumular restrições de crédito são sinais de que os gastos com jogos podem ultrapassar os limites do orçamento disponível.
Nesse cenário, o acompanhamento das despesas e a definição de limites para gastos com lazer ajudam a identificar quando as apostas começam a interferir no pagamento de compromissos financeiros. O alerta central do levantamento é que o impacto pode continuar mesmo depois que a aposta termina.