Após quedas anteriores, o índice de endividamento das famílias na capital mato-grossense passou de 83,5% em agosto para 83,9% em setembro, registrando a segunda alta consecutiva. O levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que mais de 210 mil famílias cuiabanas estão endividadas.
Os dados, apurados pelo Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), mostram ainda que 46,2% dos entrevistados se consideram pouco endividados, enquanto apenas 8% se declaram muito endividados.
Para o presidente da Fecomércio-MT, Sebastião “Tião da Zaeli” Gonçalves, o patamar elevado revela o papel central do crédito no orçamento doméstico.
“A evolução do indicador mostra que o crédito continua desempenhando papel relevante na organização financeira das famílias cuiabanas — seja para antecipar consumo ou administrar despesas ao longo do tempo.”
Inadimplência recua, mas desafios financeiros permanecem
Apesar do avanço no endividamento, o percentual de famílias com contas em atraso caiu de 16,3% em agosto para 15,5% em setembro. Em valores absolutos, cerca de 39 mil famílias cuiabanas têm dívidas em situação de inadimplência.
O cartão de crédito segue como a principal modalidade de dívida, citada por 87,5% dos entrevistados.
Tião da Zaeli avalia o resultado com cautela. “A redução das famílias com dívidas atrasadas é um sinal favorável à capacidade de pagamento, mas a parcela que não espera quitar os débitos ainda revela restrições financeiras relevantes.”
A fatia de famílias que afirmam não conseguir quitar os débitos em atraso ficou em 6,4% — levemente abaixo dos 6,5% registrados em agosto.
“O desafio não está apenas no acesso ao crédito, mas na capacidade de transformar renda em pagamento das obrigações acumuladas”, destacou o presidente da Fecomércio-MT.
Dívidas de longo prazo podem frear consumo por mais tempo
O levantamento também mostra que o endividamento não é passageiro para grande parte dos entrevistados:
39,1% estão endividados há mais de um ano
34,1% há três a seis meses
16,8% há até três meses
9,3% há seis meses a um ano
Conforme análise do IPF-MT, a permanência prolongada indica que o comprometimento financeiro vai além de dificuldade pontual e tende a influenciar as decisões de consumo por períodos mais longos.